[ Sex Fev 13 2003 ]
Sexta-feira 13, dia de todos os azares. Dia em que me lembro sempre e invariavelmente da mesma pessoa - do meu avô. O Mestre Ilhéu. Pessoa responsável em grande parte pelo meu desejo e gosto de aprender e, segundo o que me contam, supersticioso. Nada pior para uma pessoa que nasceu num dia 13 e cuja filha, minha mãe, nasceu numa sexta-feira, número e dia da semana pelos quais tinha verdadeira aversão.
Lembro-me de ele me ensinar a talhar as letras do alfabeto em cascas de laranja, de ele me ler vezes sem fim as histórias da cartilha por onde me queria ensinar a ler (tenho que a ir procurar), lembro-me de jogar às damas com ele (eu tinha jeito para perder). Lembro-o como uma das pessoas mais inteligentes que conheci apesar de a escola ter ficado para trás uma vez terminada a 4ªa classe. Lembro-o com verdadeiro orgulho, daquele que me deixa os olhos turvados enquanto escrevo. Homem de fortes convicções (demasiado fortes, dirão alguns), ouvi-lo era sempre uma lição...
Que bom que seria se ele estivesse por cá. Por certo que hoje teria alguma coisa para me dizer. Eu ouvi-lo-ia como fazia quando tinha quatro anos.
Já não o vejo há uns tempos. Vai para 20 anos e, no entanto, parece que foi ontem. Tenho a ceretza que está bem.
Não sei se apesar das suas superstições alguma vez ele terá tido azar. Eu, por mim, tive uma sorte imensa em o ter conhecido.
Um beijo...
PS - À Ana, mulher tão linda quanto corajosa que está com ele, à Maria e ao Zé que ainda estão comigo, outro enorme beijo.
Publicado por João Ilhéu em maio 5, 2004 10:46 PM