[ Sáb Fev 14 2003 ]
Areia... Tudo o que os meus olhos alcançam. Estou no deserto, belo e implacável e vagueio... Sem norte que me guie, sem água que me saceie, caminho mas não vislumbro pegadas. Não vejo sinais de vida. Sofro. Não sei sequer se estou onde julgo estar. Desespero. Só a minha sombra me faz companhia. Descanso. Só a minha sombra sugere que sou real. Serei?
Aqui, o tempo e o espaço correm sem sair do sítio. Por vezes julgo estar onde quero, outras tento fugir com todas as minhas forças mas o deserto parece querer engolir-me e fazer-me de novo pó.
Sem qualquer outra esperança, vagueio à procura dum oásis, duma réstea de vida, de alento. Caminho perdido entre o azul dos teus olhos que o céu quis para si, e a cor dos teus cabelos com que a terra se pintou. E à noite, as estrelas levam-me pela mão de volta ao leito onde te queria a dormir e onde finalmente desperto do sonho.
Lá fora, chove. Cá dentro, também...