junho 22, 2004

O CULTO DA SOMBRA

Nos últimos anos, quando chega “O” calor, dou por mim a pensar que não faz sentido que um país com o nosso clima, nomeadamente no que ao Alentejo diz trespeito, ter perdido aquilo que eu gostei de apelidar de “Culto da Sombra e da Água” – dois elementos essenciais na criação de qualquer ambiente urbano. Ou, pelo menos, deveria ser. Mas, quando os espaços verdes se “medem” através do número de árvores plantadas, quando a água enquanto elemento refrescante é ignorada, quando os espaços para “estar” são cada vez menos (nem vou falar em intervenções urbanas pouco criteriosas nestes aspectos), a malta morre de calor, gasta dinheiro em ares condicionados e na energia que os faz trabalhar e nem por isso tem gosto em (con)viver na rua.
Plantar árvores nos passeios não é sinónimo de criar espaços verdes. Relvar os espaços sobrantes entre construções, muito menos. A vivência urbana tem que ser uma experiência única, pensada em todas as suas vertentes – social, ambiental, arquitectónica, urbanística. Contas de matemática de somar e subtrair à volta de números dão resultados absolutamente abstractos quando não são reflexo de intervenções de qualidade. Saber que se plantaram mil e tal árvores não me dá vontade de ir para a rua passear, ir às compras, a uma esplanada ou simplesmente olhar para a minha cidade. Saber que plantaram uma mas que o fizeram fruto de uma abordagem global e integrada com resultado de qualidade, dá-me vontade disso e muito mais.
Números? Números não fazem sombra. Números não refrescam. Números? Só o do telemóvel do amigo para lhe dizer que não vou sair de casa porque está muito calor.

Publicado por João Ilhéu em junho 22, 2004 10:32 PM
Comentários

Caro comandante:...a sua desilusão relativamente ao festival super Bock super rock neste momento são infundadas!

Segundo informações oficiais, de fontes confirmadas e seguras:
a falta de cerveja e/ou bebidas no recinto, bem como a falta de tendas para a venda das mesmas, não é da responsabilidade da Unicer,(responsável pelo evento). A responsabilidade deve-se aos responsaveis pelo recinto, á entidade que efectuou o aluguer. Na realidade esta entidade fez algumas exigências tais como o numero reduzido de tendas de bebidas(dado que o festival era de musica e devia ser salientada essa ideia e não a da bebida) e também negou a vontade da UNICER de colocar os camiões cheios de cerveja para venda directa dado que este seria um grande interesse seu e uma mais valia para a empresa.

É verdade, foi triste...mas garantidamente que não voltaremos a ver o super bock naquele local!!!

Mais descansado caro comandante...? Já relativamente aos WCs... n sei de quem seria a responsabilidade...

Bjokas...e espero que volte ao super bock...para puxar brasa á minha sardinha!!


Afixado por: Funnysunny em junho 23, 2004 02:06 PM

e depois de tanta responsabilidade e muito erros...eheheheheh...ou de tão pouca responsabilidade...para o ano lá nos veremos

Afixado por: Funnysunny em junho 23, 2004 02:07 PM

Sentido!
A responsabilidade não foi da Unicer. Tudo bem. Queriam salientar a qualidade musical? Tudo bem. Não queriam dar lugar de destaque à cerveja? Tudo bem. Mas... e para pessoas como eu que não gostam de cerveja? Uma coisa é não haver demasiado alcoól, outra é não haver líquidos pura e simplesmente. Eu (como tu tão bem o sabes) só consegui beber uma água lá para as duas e tal da manhã. Queriam que eu fosse buscá-la onde? Ao Trancão? Antes foi impossível. Os responsáveis do recinto saberão que era disso que se tratava? De coisas básicas?
Começasse o festival mais cedo e eu gostaria de ter acesso às estatísticas dos serviços médicos presentes no local e que atenderam casos de desidratação.
Seja de quem for que tenha sido a responsabilidade da quantidade de pontos de venda presentes no local, duma coisa os organizadores não se safam: de terem anuido a que esta situação se verificasse. O tamanho do recinto só é uma mais valia se tudo o resto estiver à sua dimensão. Continuo a dizer que, para ser assim, prefiro o festival nos moldes anteriores, quer pelas condições de logística, quer pelo universo musical que abarca. É caso para dizer: Não importa o tamanho, importa o que se faz com ele.
À vontade!
PS-Desculpa esta resposta em ar de "post". E eu até calculo de onde tenham vindo esses esclarecimentos... Nada de pessoal. Apenas uma crítica construtiva. Espero que a entendam assim.

Afixado por: Comandante em junho 23, 2004 03:13 PM

Depois das Tapas e dos Bifes....venham as Ervas e o Bacalhau, que nós
portugas retraçamos tudo !

VIVA Á SELECÇÃO!!!!

Afixado por: Funnysunny em junho 25, 2004 01:02 PM

Acho que esta discussão deve prevalecer sobre qualquer falta de cerveja. O alentejo tem vindo a desenvolver-se e Beja espelha precisamente isso( a passo lento mas têm). Mas não nos venham com tretas no que respeita aos espaços de lazer que está projectado isto e que se vai fazer aquilo pois, numa cidade onde os termómetros batem quase no fundo as árvores e os espelhos de água deviam ser muitos mais e não só o betão que cresce em todo o lado. O pior é que os responsáveis consideram que estão a fazer um bom trabalho! Deviam atravessar a cidade por volta das trÊs da tarde para sentir na pele as suas decisões! Abraço

Afixado por: belota brava em junho 29, 2004 05:09 PM

Caro Comandante:

Faça o favor de olhar para o Parque da Cidade e, peço-lhe, que faça a sua "abordagem global e integrada". Será que são só arvores, só números, ou há coisas que prefere ignorar?

Afixado por: em agosto 27, 2004 10:46 PM