Porra! Alguém que me bata! E com força, por obséquio. Se tivesse pensado bem as coisas, devia estar esta hora a preparar-me para ver o Paul McCartney no Rock in Rio. Não que seja grande admirador, pelo contrário. Mas, ver ao vivo um dos Beatles naquela que poderá ser a sua última digressão seria, sem sombra de dúvida, oportunidade única. Mais uma memoria para guardar junto a tantas outras.
Raio de vida profissional que não deixa tempo para pensar no resto. Quando dei por isso, era tarde. Quando pensei nisso mais a sério já não dava tempo para lá chegar. Sim, porque eu era gajo para abalar daqui à última da hora mas assim...
Enfim, lá estarei amanhã a rever Ben Harper e Peter Gabriel 360 dias depois da última (e memorável) vez. Darei notícias.
Até lá vou-me roer e fustigar pela basbaquice que se apoderou de mim...
Se querem comentar isto, por favor façam-no chamando-me nomes. Vá que eu mereço...
Porque se continua a insistir em ignorar o desporto extra futebol, porque dum modo geral se faz o mesmo com outros acontecimentos de igual importância noutras áreas da sociedade, porque ainda não se compreendeu o valor da divulgação, porque ainda acham que ninguém se interessa por nada, tomei a liberdade de abrir (mais uma vez) este cantinho para dizer às pessoas em geral (mas em particular aos bejenses) que entre os dias 27 e 30 de Maio vai ter lugar na nossa cidade a FASE FINAL DO NACIONAL DE JUVENIS MASCULINOS EM ANDEBOL com participação de uma equipa da casa. Um rebuçado para quem, de entre a lista dos finalistas, adivinhar qual é... ABC, Académico do Funchal, Benavente, FC Porto, SL Benfica e Zona Azul. O nosso pavilhão multiusos vai honrar o nome e transformar-se num campo da modalidade.
Para consultar o calendário dos jogos clique aqui.
Finalmente vou falar de cinema, actividade profusa nas Caves mas que, por misteriosos desígnios, tem passado ao lado deste espaço.
O segundo “finalmente” prende-se com o facto de já ter conseguido ver o filme que dá título ao post.
Se me perguntarem simplesmente “gostaste?”, eu responderei “sim. O filme está bem feito mas…”. Aprofundando a minha análise, chego à conclusão que é este “mas” que aqui me traz.
De facto o filme está bem feito. De facto, o filme transpira a paixão mas, infelizmente, transpira à paixão de Mel, não à de Cristo. O apego tantas vezes confessado pelo realizador pelo tema, motivou-o a fazer um filme muito pessoal na abordagem escolhida. E se, como conceito, começou por ser exemplar (único, mesmo) a sua tentativa de o ser saiu, segundo o meu humilde ponto de vista, algo gorada.
Ter compreendido que a história – porque é disso que se trata – é sobejamente conhecida, sustentou a corajosa opção inicial de fazer um filme integralmente sem legendas visto os diálogos serem perfeitamente secundários. Mas isto, para ser conseguido, teria que se ter recorrido a uma narrativa visual intensa e ilustrada com alegorias e simbolismos como, aliás, acontece no início do filme em que parece estarmos a apreciar uma grande tela românica. Acontece que isto requeria alguém mais realizador e menos actor que Mel Gibson.
Ao contrário do que muita gente diz, não o acho um filme violento. Acho-o descompensado. À violência (ou a frieza do relato) falta o contraponto igualmente intenso do conceito, da genialidade por detrás da câmara que não se sente.
De génio, foi a escolha dos actores, principalmente, dos dois que “carregam” a narrativa aos ombros, Maria e seu filho J Cristo. Os olhos de Maria gritam de dor acima do turbilhão da multidão, tal a sua expressividade. Jim Caviezel, aliás, Jesus Cristo (JC para onde quer que se vire) é tudo o que que dele se imagina. Dois dos actores que melhor personificam a dor. Dor essa que passa para o público através do vermelho do sangue e dos grandes planos repetidos à exaustão.
Resumindo, apesar de ter gostado, fiquei com a sensação (ou frustração) que este filme, este conceito (não me canso de repetir,genial) nas mãos de um realizador com paixão e génio em doses iguais, seria único na história do cinema.
Aguardo uma revisão do filme, daqui a uns meses, para tirar novas conclusões.
Para terminar, como é recomendável nestas coisas da religião, deve ser complementado com o visionamento de outros filmes, de preferência, igualmente pouco consensuais. Já viram a ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO? Aconselho.
Limpem os pés antes de entrar, por favor. A casa é nova e eu não a quero sujar. Ainda não está completamente arrumada mas aos poucos vai lá. Peço-vos, portanto, um pouco de paciência. Trouxe comigo tudo o que escrevi na casa antiga. Os comentários também virão mas… com calma, aos poucos… até os indecorosos!
As paredes ainda estão muito brancas. Vou pendurar espalhadas por aí algumas coisas que tenho guardadas.
Tenho, no entanto, que avisar aqueles (poucos, muito poucos) que não me acham capaz de dizer (e escrever) coisas indecorosas, que esta é uma boa altura de fazer meia volta e sair por onde entraram. Fiquem-se por “ok, isto do blog é giro mas está visto. A casa está bonita. Foi um prazer em vê-lo. Até à próxima!”. Feito o aviso, limpo daí as minhas mãos. Isto é meu! Eu faço o que me apetecer se isso me fizer sentir melhor com a vida. Até escrever em português vernáculo.
Bem, vocês não sei mas eu estou cansado. Vou-me deitar que as visitas querem ir-se embora.
Um abraço a todos que me ajudaram a carregar os móveis.
Voltem sempre.
O último a sair, feche a porta.
PROVAS DE PREPARAÇÃO e FESTIVAL DO 3º AGRUPAMENTO
[Ter Mai 11 2004]

design por João Ilhéu
Um dos meus desportos preferidos que pratico há já muitos, muitos anos. No entanto, não vou nadar. Vão outros, o presente e futuro da modalidade nesta cidade. E com eles, outros vindos de outros sítios.
[Seg Mai 10 2004]
Estou para aqui sentado a decidir o que fazer este fim de noite. A televisão faz desfilar novelas em barda. Nem sei quais. Há já uns anos que decidi não perder tempo com elas e, deixem-me que vos diga, tenho cumprido esta minha promessa religiosamente vai para cerca de seis, sete anos. A única coisa que neste momento me desperta o interesse é a entrevista do Xanana Gusmão na 2. Mas hoje é daqueles dias em que me apetece alargar a minha cultura cinematográfica. Xanana, desculpa o desrespeito. Olho para a estante onde tenho os meus filmes. Já é tarde e amanhã tenho que trabalhar. Não me posso deitar muito tarde… outra vez. Entre os que TENHO que ver num futuro próximo, encontra-se o "Querido Diário" do Nanni Moretti, "Vertigem Azul" do Luc Besson e a história de Miles Davis, mítico trompetista de Jazz. Mas demoram tanto tempo. Na melhor das hipóteses, deitava-me lá para as duas da manhã. Não! Se calhar vou optar por um ou dois episódios do "Allô Allô". Um registo completamente diferente mas igualmente bom. Certeza, certeza, só que vou acabar a noite embrenhado no "Chocolate", versão de papel.
Boa noite e até amanhã.
Bons sonhos.
[ Dom Mai 02 2004 ]
Pronto sou forçado a concordar: não será propriamente um texto de Shakespear, nem os actores mestres na arte de representar mas não foi mau. PORTUGAL, UMA COMÉDIA MUSICAL, é uma peça bem disposta, cheia de debutantes que lhe conferem a tradicional irreverência. Mas, neste caso, debutantes e irreverência não são sinónimo de falta de qualidade. Portugal é caricaturado ao som das músicas do Sérgio Godinho. Pareceu-me tudo muito bem... O Bruno, o Marco, a Mariza, os outros que não me lembro...
Estão à espera que fale da Mariza, não é? NÃO FALO! Depois lá iam as mulheres dizer aquelas coisas que dizem sempre que o tema é a MC, vocês sabem ao que me refiro, aquelas coisas ditas quando lhes dói a articulação úmero-radio-cubital, vulgo, cotovelo. Por mim só tenho uma coisa a dizer: Belo par!... de horas gastas a ver a peça. Valeu a pena.
Um abraço à seita que se reuniu ao toque de chamada.
[ Sex Abr 30 2004 ]
Corre por aí o boato que, a partir de Maio, existem graves riscos ao consumir Coca-Cola. Aparentemente, a famosa bebida será alvo de um qualquer acto terrorista. Ora pois bem, para além da pouca confiança que tenho nas fontes, acho tudo isto de uma veracidade questionável. De facto, pôr a notícia a correr já pode, eventualmente, causar qualquer coisa como um acto terrorista económico mas, como disse num comentário na Praça da República, até não era necessariamente mau que aparecessem por aí mais destes terroristas preocupados com questões de saúde pública. Imaginem só ameaças de contaminação dos assentos dos automóveis com fungos passíveis de provocar micoses violentíssimas, ou insinuar que as transmissões televisivas da TVI emitiriam radioactividade, ou que os telemóveis provocam impotência… Lá teríamos nós que andar a pé, ver menos televisão ou deixar de falar tanto ao telemóvel! Sem dúvida que isto seria o fim do nosso modo de vida tal como o conhecemos.
Ah, bandidos!
[ Qua Abr 28 2004 ]
Ando com vontade de ir ver isto. Algum de vocês me quer fazer companhia?
[ Seg Abr 26 2004 ]
Voltei. Parei para descansar e aproveitei para pensar um pouco. Envelheci uns dias, porém, talvez não tenha crescido.
Voltei 30 anos e um dia depois da Revolução dos Cravos. Eu não a vivi. Nasci depois. Dizem-me que era tudo muito diferente. Mais difícil... Ainda bem que assim é.
É enorme o distanciamento que se tem quando não se viveu ou não se tem quaisquer memórias desse período. É qualquer coisa tipo uma ignorância (quase) abençoada. Nasci no ano seguinte, numa altura que, por certo, ainda se sentia no ar o cheiro fresco dos cravos. Mas não posso garantir ao certo. Nunca senti outro cheiro no ar que não fosse esse. Dizem que só se sabe o que é a luz depois de conhecer o escuro e eu gostava de ter memórias de tudo o que a revolução quis apagar. Isso dar-me-ia a certeza de que (parece-me) muitos ainda não compreenderam o que significa a liberdade. Ao contrário do que vemos todos os dias, "liberdade" não é sinónimo de "fazer o que se quer". Impunemente, acrescento eu. Falta-nos compreender que os nossos direitos acabam onde começam os direitos de quem está ao nosso lado. Falta-nos desprendermo-nos desta fome de poder outrora característica dos senhores postos a mexer ao som do Grândola Vila Morena e que nos põe a viver uns contra os outros em vez de nos pôr a andar lado a lado.
Mas isto tudo digo eu que sou imbecilmente ingénuo e simplista...
E tanto mais há para dizer!
[ Qui Mar 25 2004 ]
«Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...
(...)
Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidos
que voltei a encontrar em ti...»
Há músicas assim... que dizem alguma coisa. Muita coisa. Quase tudo.
[ Qua Mar 17 2004 ]
Querem espreitar a mini saia da minha amiga Lila? Para ver mas não mexer!
«The next big thing after Sex in The City!» - B. Stone, New York Times
«Women at their best!» - T. Curry, Herald Tribune
«Sarah Jessica Parker: Beware!» - J. Howard, Daily Telegraph
«Bye bye Lois. I Love you LiLa» - C. Kent, Daily Planet
[ Qui Mar 11 2003 ]
Hoje acordei com a notícia do atentado em Madrid. Um acto maquiavélico cujos requintes de malvadez são indescritíveis e que esteve prestes a tomar proporções ainda maiores. Apesar de tudo e egoisticamente esperei que se tratasse de conflitos internos. Mas não. Estamos em guerra. Mas quisémo-la. Pelo menos, disseram-me isso. Não sei. A mim ninguém me perguntou nada.
Espero por Deus, que Alá nos ache suficientemente insignificantes.
Hoje acordei. E amanhã?...
[ Qua Mar 10 2004 ]
Ainda a propósito do Dia Internacional da Mulher, numa escola desta cidade que me viu nascer, na disciplina de Formação Cívica, os alunos de 7º ano foram confrontados com um poema sobre a mulher sobre o qual deveriam fazer um comentário. O produto desta tarefa que lhes foi incumbida ultrapassou todas as expectativas. Houve de tudo...
"Qual é o feminino de "sentado no sofá a ler o jornal"?
"De pé na cozinha a lavar a loiça"".
"As mulheres só sabem gastar dinheiro e ver telenovelas. As mulheres servem é para limpar a casa, fazer compras, passar a ferro e fazer a comida e quando o marido sai, pede o cartão de crédito e parecem lobos esfomeados a mexer na conta." Será assim lá em casa?
Pelo próximo tenho um carinho especial. Atentem ao profissionalismo da coisa...
"As mulheres não deviam ter um dia para elas, pois as mulheres já têm folga quando estão em casa a ver televisão enquanto o marido está a trabalhar para ganhar dinheiro para sustentar a casa, a mulher tem de estar a fazer as tarefas domésticas e a cuidar do menino. Sabe porque é que há violação doméstica?" - pergunta ele a certa altura, como que interpelando directamente a Professora - "Porque não fazem as tarefas domésticas e quando o marido a apanha em casa a ver televisão e o comer não está feito e a casa suja, por varrer!" E agora a piéce de resistance : a sondagem entre os colegas...
"Em doze destes rapazes, 11 acham que a violação (penso que ele quereria dizer violência, mas em todo o caso...) é bem aceite, quando os homens chegam a casa e a casa está suja, por varrer, as mulheres devem levá-las."
No meio de tanta gente, há sempre um mais escarecido: "As mulheres vieram ao mundo para trabalhar e ontem descansaram".
Entre tanto rapaz, interessante o ponto de vista das mulheres da turma. Aqui vai uma...
"Ainda bem que algum homem homenageia ("ominigia" no original) as mulheres porque os homens só sabem dizer que são os melhores e que as mulheres não prestam.
Os homens não são imperfeitos mas não são os melhores." Minha querida, a menina lá sabe...
"A mulher tem direito a falar e a expressar os seus pensamentos.
Porque é que os homens têm que estar sempre na frente de tudo?
A mulher tem direito ao dia dela, a poemas de consolação (?!!!) e a muito mais.
As mulheres não vieram ao mundo só para trabalhar, porque senão não havia vida." Ora aqui está: vieram para trabalhar e procriar, é isso?
"As mulheres não são perfeitas, ninguém é perfeito.
Nós não somos escravas dos homens.
Há mulheres que trabalham para sustentar centenas de vícios do homem. E essas o que são?
Não há discriminação, todos iguais, todos diferentes.
Porque é que há homens que preferem mudar para mulheres?" Pois, minha amiga, isso também eu gostava de saber...
Nota da redacção: às vezes a realidade ultrapassa a imaginação. Tudo o que aqui está é uma transcrição fiel. Estes olhinhos que a terra há de comer leram tudo.
[ Sex Fev 20 2003 ]
Conheço um gajo que as únicas vezes que se mascarou em adulto foi de mulher. Nem me vou pôr para aqui a dissertar sobre a teoria da exteriorização do lado feminino em cada homem pois iria dar confusão e tão pouco faço ideia de como sustentar o facto. O que me interessa realmente é que ele o fez e fê-lo a preceito, de vestido preto tão justo quanto curto (o vestido já ficava justo e curto à sua namorada de então, menos corpulenta que ele. Imaginem...), dois pares de meias de vidro da mesma cor (sim porque só com um os pêlos das pernas viam-se todos), sapatinho a condizer e cabeleira loira encaracolada numa personificação de qualquer coisa como a Marisa Cruz da recta de Pegões. Pormenor importante: duas das suas amigas incumbiram-se de lhe fazer a maquilhagem. Uma vez pronto o "boneco", terá dito alguém que viu: "já comi pior e não me fez mal nenhum!".
A namorada mantinha-se prudentemente à distância num misto de vergonha com deboche. Mal sabia ela que o vestido, no corpinho daquele gajo com mais 30 kg que ela, jamais voltaria a ser o mesmo.
Parece que a pior parte foi a pouca liberdade dos testículos do rapaz entre tanto tecido justo. Foi complicado de acondicionar e de aguentar pela noite fora.
Consta que o rapaz foi apalpado nessa noite como nunca o fôra em toda a sua vida. Mas também, estava a pedi-las, não é?!...
O pior foram as dores nas costas. Os saltos altos dão cabo das costas a um gajo. Quer dizer... não sei... disseram-me.
[ Sáb Fev 14 2003 ]
Areia... Tudo o que os meus olhos alcançam. Estou no deserto, belo e implacável e vagueio... Sem norte que me guie, sem água que me saceie, caminho mas não vislumbro pegadas. Não vejo sinais de vida. Sofro. Não sei sequer se estou onde julgo estar. Desespero. Só a minha sombra me faz companhia. Descanso. Só a minha sombra sugere que sou real. Serei?
Aqui, o tempo e o espaço correm sem sair do sítio. Por vezes julgo estar onde quero, outras tento fugir com todas as minhas forças mas o deserto parece querer engolir-me e fazer-me de novo pó.
Sem qualquer outra esperança, vagueio à procura dum oásis, duma réstea de vida, de alento. Caminho perdido entre o azul dos teus olhos que o céu quis para si, e a cor dos teus cabelos com que a terra se pintou. E à noite, as estrelas levam-me pela mão de volta ao leito onde te queria a dormir e onde finalmente desperto do sonho.
Lá fora, chove. Cá dentro, também...
[ Sáb Fev 14 2003 ]
Dia de S. Valentim. Levantei-me às 8h 30m para rumar a Palmela para tomar parte de um Grande Prémio de Kart. Ok... Grande Prémio não será bem o termo mas que foi uma corrida simpática, lá isso foi!
Máquinas de nove cavalos, nove! (Eh, tanto cavalo!...) À volta de dezasseis concorrentes, 30 minutos de prova, uma pista desconhecida para mim e um honroso(?) 12º lugar na grelha de partida e repetido à chegada...
E eu que pensei que levar o capacete igual ao do Ayrton Senna, chegava!
[ Sex Fev 13 2003 ]
Sexta-feira 13, dia de todos os azares. Dia em que me lembro sempre e invariavelmente da mesma pessoa - do meu avô. O Mestre Ilhéu. Pessoa responsável em grande parte pelo meu desejo e gosto de aprender e, segundo o que me contam, supersticioso. Nada pior para uma pessoa que nasceu num dia 13 e cuja filha, minha mãe, nasceu numa sexta-feira, número e dia da semana pelos quais tinha verdadeira aversão.
Lembro-me de ele me ensinar a talhar as letras do alfabeto em cascas de laranja, de ele me ler vezes sem fim as histórias da cartilha por onde me queria ensinar a ler (tenho que a ir procurar), lembro-me de jogar às damas com ele (eu tinha jeito para perder). Lembro-o como uma das pessoas mais inteligentes que conheci apesar de a escola ter ficado para trás uma vez terminada a 4ªa classe. Lembro-o com verdadeiro orgulho, daquele que me deixa os olhos turvados enquanto escrevo. Homem de fortes convicções (demasiado fortes, dirão alguns), ouvi-lo era sempre uma lição...
Que bom que seria se ele estivesse por cá. Por certo que hoje teria alguma coisa para me dizer. Eu ouvi-lo-ia como fazia quando tinha quatro anos.
Já não o vejo há uns tempos. Vai para 20 anos e, no entanto, parece que foi ontem. Tenho a ceretza que está bem.
Não sei se apesar das suas superstições alguma vez ele terá tido azar. Eu, por mim, tive uma sorte imensa em o ter conhecido.
Um beijo...
PS - À Ana, mulher tão linda quanto corajosa que está com ele, à Maria e ao Zé que ainda estão comigo, outro enorme beijo.
[ Ter Fev 10 2003 ]
«Signo de Gémeos - Poderá sentir especial prazer e divertimento nas relações com crianças(?!!!), pelo que deve aproveitar esses momentos para se descontrair e relaxar dos afazeres quotidianos. Período particularmente intenso a nível amoroso ao longo do qual a paixão vai imperar.» in Correio da Manhã, 10-02-2004
CRIANÇAS??!!! Como nativo de gémeos, sinto-me profundamente ofendido e lesado na minha reputação. É por estas e por outras que não leio o jornal em causa. (Excepção feita aos anúncios de cariz sexual e sobre o qual dissertarei em futuro próximo...)
Posso sugerir a substituição do termo "crianças" por "gajas boas"?
[ Seg Fev 09 2003 ]
Amanhã, quando acordar, está aí mais uma semana. Mais cinco dias úteis e dois inúteis. Se tudo correr normalmente vai ser uma semana de novos stresses, boatos, (des)ilusões, (des)amores, incompetências, ignorâncias, mesquinhices, chatices e outras merdas.
No entanto, espero acabar a semana em grande. E não me refiro ao Dia dos Namorados que este ano me vai passar ao lado fruto do meu actual estado civil. Esperem que lá para sábado logo vos conto...
Também haverá outras coisas boas que, se me permitem, guardo para mim não vá p’raí aparecer alguém a querê-las estragar (mesquinhices, lá está).
Às vezes tenho pena que algumas pessoas não leiam isto. Era uma boa oportunidade de as mandar à merda!
[ Ter Fev 03 2003 ]
Hoje disseste-me que um dia hás de partir. Não hoje, não amanhã, mas um dia... "Para onde?" perguntei eu. "Para longe". Agora que já me habituei à tua presença, agora que a ausência me pesa, agora que me fazes falta, vais-te embora. Mas é a Tua vida que está em causa. A Minha não interessa porque a Nossa não existe. Mas eu não desisto assim.
Hoje disseste-me que um dia hás de partir. Quem sabe se não irei contigo?...
[ Qua Jan 28 2003 ]
Tenho a descarregar uma versão dos No Doubt de uma grande música dos Talk Talk, "It’s my life". Entretanto vai tocando Jack Johnson (Flake).
Segue a Maria Rita. O melhor disco que eu comprei em 2003. "Agora só falta você...".
Finalmente: "it’s funny how I find myself in love with you (...) It’s my life!". Sempre gostei disto. O disco toca incessantemente no carro. E agora em casa, no pc... "it’s my life / don’t you forget..."
Vem aí Sheryl Crow. Outra versão, desta vez do Cat Stevens: "The first cut is the deepest". Nem sempre... Mas continua a ser uma grande música!
Mais uma versão. Avril Lavigne a bater às portas do céu. Bob Dylan cantado por Guns e por sua vez por esta canadianazinha de 18 anos ou coisa que o valha. Mas nem isso tira a magia à música. "Knocking on heaven’s door".
Agora para aligeirar: The 80’s. David Fonseca. Gosto sempre de voltar um pouco atrás. "I should have met you in the eighties!"
Já sei o que vai tocar a seguir. Foo Fighters com esse grande tema acústico "Times like these". Em tempos como estes, fico em casa a ouvir música... It’s times like these / you learn to love again...
Enquanto isto toca vou escrevendo e falando com alguns amigos na net. É engraçado como isto nos aproxima e, ao mesmo tempo, nos deixa sozinhos.
"It’s a new dawn / it’s a new day / it’s a new life for me / and I’m feeling good" Muse a sentirem-se bem (Feeling good). Eu, por mim, podia sentir-me melhor. Uma música com reminiscências do Jazz. Muito boa... vou deixá-la tocar...
Enquanto procuro na minha base de dados, toca a arrebitar: Outkast "Hey Ya!".
"Bother" Audioslave. Isto deixa-me de rastos. Segue para a próxima...
Aimee Mann. Conhecem? A descobrir. A tal da banda sonora da campanha de prevenção rodoviária e do Magnólia (wise up). Por aqui toca o "deathly".
Estou a ficar ainda mais deprimido. Vou sair. Vou dar uma volta de carro. Estou farto de estar a olhar para as paredes. Até já!
...
...
Voltei. Meia noite e meia. No carro ouvi muita coisa da minha selecção musical. O final, a última música antes de chegar a casa, é quase sempre a mesma (pelo menos nos últimos tempos): "Here comes the flood" do Peter Gabriel. Para me aproximar dos lençois afastando-me a cabeça da viagem em que anda e da qual não há meio de regressar.
"I could drink a case of you / and still be on my feet" quem o diz é uma das minhas intérpretes de Jazz preferidas. Diana Krall de seu nome, "case of you" a música. Hoje não a ouvi. Fica para a próxima.
A música não tem que ser sempre erudita, ou de qualidade inquestionável. A música diz-nos mais ou menos consoante o estado de alma. E é isso que importa.
Há noites assim, em que chove...
Boa noite.
[ Seg Jan 26 2003 ]
Vivemos na órbita do futebol. Idolatramos as suas vidas de sonho. Esquecemo-nos, por vezes, que são homens. Pomos nos seus ombros as razões das nossas tristezas e felicidades. Talvez por isso a realidade nos lembre a espaços que nada é garantido.
Vimos hoje o Feher morrer perante os nossos olhos. Nestas alturas não faz sentido falar em cores, golos, penaltis e árbitros. Tudo se relativiza quando se perde uma vida assim.
Despediu-se com um cartão amarelo. Para quem o levou, o vermelho directo...
Até sempre...
[ Qua Jan 21 2003 ]
Andam por aí matulões de 2 metros a cobrar dívidas antigas. E eu? Devo alguma coisa?
[ Ter Jan 20 2003 ]
A sick joke. A very, very sick joke... Based on true facts.
Se houver por aí alguém que queira fazer de outra pessoa um papalvo, pacóvio ou paspalho, faça o favor de ler e tirar apontamentos.
Acho que posso relatar o que se passou, integrando os acontecimentos numa espécie de experiência comportamental bem sucedida para uns, mal sucedida para outros, melhor, para outro. Ok, para mim.
Material Necessário:
- 1 grupo de sete pessoas que vamos designar pelas letras do alfabeto de A a G e que deverá integar o alvo da experiência, vulgo, papalvo e o actor principal. É imprescindível que este último tenha namorada.
- 1 mulher atraente vestida de vermelho. É indispensável que seja desconhecida do grupo.
- Mínimo de 2 telemóveis sendo que um deles tem que ser propriedade da vítima.
Procedimento científico:
Em primeiro lugar há que frisar que, no mínimo, deverá haver três dias disponíveis para o correcto desenrolar da cabala.
Primeiro dia. O grupo de sete pessoas chega a um bar onde se possa dançar. Discretamente, o grupo separa-se em dois sub-grupos. Num deles, ficará o actor principal e duas testemunhas (sujeitos A,B e C). No outro, a vítima, vulgo, palhaço, e o resto do cuorum (D, E, F e G). Os dados estão lançados.
Os três apressam-se para um sítio mais recôndito, donde não se consigam ver os companheiros. Aí identificam a potencial mulher de vermelho e elegem-na como cúmplice involuntária. Poucos minutos depois o sujeito E (E de "Eu", a vítima) recebe uma mensagem de A (o actor principal que, lembre-se, tem namorada) a dizer que está a dançar com a então ainda desconhecida woman in red . Obviamente, eu, desculpem, o sujeito E desloca-se apressadamente para junto de A, B e C para constatar os moldes em que a cena decorre. Uma vez lá chegado, B e C apressam-se a contar o sucedido entretanto. O sujeito A, agora a dançar sozinho, terá dado uns passos de dança com a gaja de vermelho. Bem gira, por sinal... O sujeito A, com um prazer mórbido em semear confusão, delira com a situação, comenta e instiga ao motim. Facto normal tendo em conta que o sujeito E, a vítima, vulgo, pacóvio, não ter namorada (dor de cotovelo, dirão uns, parvoíce natural, dirão outros. Concordo com a segunda). O sujeito E poderá dispersar, voltando amiúde para constatar eventuais evoluções que as testemunhas relatam. No regresso a casa, a estocada final. Mensagem de A para E, reiterando o deslumbramento pela dança.
Segundo dia. Café. Hoje, novamente em conjunto, faz-se o rescaldo da noite anterior. Mandam-se umas bocas só para manter o ferro quente antes de se lhe malhar. O grupo dispersa. À noite, o sujeito E lança enigmáticas mensagens para o seu blog referindo-se à woman in red, nome de código atribuído à rapariga.
Terceiro e derradeiro dia. Precipitam-se os acontecimentos. O sujeito A liga a E. Ao fundo ouve-se a namorada de A a exigir falar comigo, digo, com o sujeito E. Indignada e preocupada com a situação, a namorada questiona e pede explicações à vítima, vulgo, parvinho, sobre a famigerada noite, sobre a mulher de vermelho, sobre os acontecimentos. Parece que uma das testemunhas (o B) abriu a boca. A vítima, vulgo, nhónhó, vendo-se confrontado com uma situação que põe em causa a vida conjugal de A, seu amigo do peito, e que ele próprio reconhece parte da responsabilidade por tê-la instigado, apressa-se a contradizer a namorada de A. Como? Convencendo-a que existe ali um mal entendido e que quem dançou com a rapariga foi ele próprio, o único rapaz descomprometido do grupo e que o segredo se prendia com questões da vida pessoal do mesmo. Uma vez ultrapassada esta questão e desligado o telefone, E liga para B (o Bufo) para lhe pedir explicações acerca das bocas que mandou à namorada de A, nosso amigo. E é aqui, neste preciso momento, que tudo se precipita quando B diz que não fala com ela vai para quinze dias. Imediatamente, fez-se luz e E sente umas orelhas de burro a nascerem no sítio das outras que Deus lhe deu.
O que se passou? Pois é. Não se passou nada. A, B e C escolheram uma gaja à volta da qual construiram uma teia de acontecimentos que, pura e simplesmente, não tiveram lugar. Apenas me fizeram crer que sim. Uma vez lançados os dados, entrou em jogo a namorada de A que, obviamente, em conluio com o seu mais que tudo, me confrontou com o suposto deslize. O interrogatório, digno da Gestapo, não deixou outra saída senão a decisão tão altruísta quanto inconsciente, de tomar o lugar do suposto pecador. Calculem agora o que alguem que sabe que a história é mentira, pensa sobre quem prontamente assumiu uma tamanha mentira. Enfim, tivesse eu um buraquinho para me enfiar...
Enquanto não descobri a tramóia, garanto-vos, foram minutos de terrível angústia.
A hora que se lhe seguiu foi uma hora de acertar contas.
Ainda não recuperei...
P.S. - sei que jurei a sodomia como castigo para quem divulgasse algo sobre aquela noite. Mas não acham que já fui suficientemente encavado? Isto ainda vai valer umas boas gargalhadas à minha custa lá para o fim de semana.
[ Seg Jan 19 2003 ]
still an extremely private joke! May those who speak be sodomized.
Esta vai de memória. Que não me atraiçoe.
(...)
Lady in red
Is dancing with me
Cheek to cheek
There's nobody here
There's just you and me
It's where I want to be
And I hardly know
This beauty by my side
And I never will forget
The way you look tonight
(...)
Chris de Burgh(?)
[ Seg Jan 19 2003 ]
a very, very private joke. nevertheless...
(...)
The woman in red
The woman in red
Like fine wine she's going straight to my head
The woman in red
The woman in red
I'll settle for nothing less than her instead
(...)
Music & Lyrics by Stevie Wonder(bons olhos o vejam)
[ Sex Jan 16 2003 ]
É tarde. Escrevo sentado ao computador com uma chávena fumegante ao meu lado. Escrevo e não o faço feliz. Eu não queria saber! Não queria e não precisava! E no entanto disseram-me à mesma! A quem terei que me queixar? A quem poderei dizer "Não! Eu não queria saber que o Carlos Cruz tem manchas na pila!". Forçaram-me assim a ser redundante. A escrever duas vezes no mesmo dia sobre a mesma coisa. E eu não queria...
Sou um produto da revolução de Abril. Como tal, jamais poderei dizer que senti na pele a repressão de que oiço falar. Pode parecer estranho mas tenho alguma pena de não ter memórias dessa época. E digo-o por uma simples razão: a de dar valor à liberdade que hoje disfruto. Mas, apesar de tudo, é para mim claro que nós enquanto povo enfrentamos graves dificuldades em compreender que liberdade não é fazer o que se quer, quando e como apetece. Ter direitos não é sinónimo de anarquia. Ter direitos significa que para os exercer, não o podemos fazer para além do ponto onde estes se sobrepõem aos de qualquer outro indivíduo. Não compreendo por isso, entre tantas outras coisas, a razão pela qual Portugal tivesse que saber que o apresentador tem manchas no seu pénis. Não compreendo e não aceito. Não aceito que me esfreguem nos olhos o argumento do interesse jornalístico e informativo. O direito de informar (será que o é?) não se está a sobrepor ao direito de justiça e privacidade? E poderemos continuar a permitir que tal aconteça?
Não me espanto por isso que se volte a falar de censura. Neste estado de coisas não há futuro.
Há quem diga que são necessárias três gerações para limpar os efeitos de uma mudança de regime. É esse o tempo que eu vou ter que esperar para que aprendamos o que é a liberdade e o bom senso? Irra, que é muito tempo!!!...
Calem-se, porra!
(Se não me falha a memória:
Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão saber como se faz uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade)
[ Qui Jan 15 2003 ]
...e, ao contrário do que se diz por aí, não fui eu que eu tratei das outras 75%! Agradeço a consideração mas não posso aceitar tal elogio. Isto de espalhar as notícias assim nos meios de comunicação social tem os seus inconvenientes. Tenho que rever a minha posição em relação à censura jornalística...
[ Seg Jan 12 2003 ]
Não dá pé, não tem pé nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez
Ter feito o que você me fez
Desapareça, cresça e desapareça
Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé não é direito
Não foi nada, eu não fiz nada disso
E você fez um bicho de 7 cabeças
Bicho de 7 cabeças
Letra de Zé Ramalho
Querem ver que o gajo anda a ler o nosso Blog?
[ Seg Jan 12 2003 ]
...tal como toda a gente, andaria por aí a ouvir conversas, entrar em casas, quartos de miúdas e balneários femininos.
Se eu fosse uma mosca andaria na merda. Como não sou, imito bem.
[ Seg Jan 12 2003 ]
A música tem destas coisas. Eleva-nos o espírito, faz-nos pensar. E há músicas e músicos que por um desconhecido desígnio (ou talvez não) nos parecem falar ao coração. Mais, parecem ter sido feitas à medida. E do modo como às vezes se atravessam ao caminho, parecem querer contrariar o acaso. Há músicas que entram nas nossas vidas em determinada altura porque não podia ser noutra. E há pessoas que por dom, sensibilidade, inteligência e amizade as jogam para a nossa frente na altura certa, depois daquela curva mais apertada.
Francisco, o Brasil é grande mas tu és maior. Um abraço.
[ Ter Dez 30 2003 ]
Se me é permitido confessar um segredo, retiro grande prazer e satisfação do facto de alguém reconhecer algo, por pouco que seja, no meu trabalho. Principalmente, quando não há uma cara a quem o associar, quando permaneço anónimo para quem me julga. Foi por isso uma alegria ter sido agraciado com uma menção honrosa atribuída pelo Nikonman na sua Praça da República ao meu blog. A este espaço onde se avisa explicitamente logo à entrada "Aqui diz-se tudo. Não se aprende nada!". Apesar disto, alguém viu aqui alguma coisa. Só poderia vir de um fotógrafo. De alguém que vê as coisas como os outros não o fazem.
Para além da blogosfera, também partilhamos a cidade onde vivemos. Pode ser que nos encontremos por aí...
Espero continuar à altura da responsabilidade.
[ Sáb Dez 27 2003 ]
E pronto! Já sei quando vou morrer. Será aos 82 anos, lá para o ano de 2057... Apesar de tudo, contava viver até aos 120. Enfim... ainda tenho algum tempo.
O que me deixou verdadeiramente preocupado é de ter uma probabilidade de 5%(!) de morrer durante um auto-fellatio! Acho mal! Altamente improvável e mal!
[ Sex Dez 26 2003 ]
Uma pequena nota introdutória: quebro aqui a resolução de jamais responder neste espaço a qualquer comentário que me seja feito a propósito deste ou qualquer outro blog em que participe. Mas afirmar tal coisa em espaço público requer resposta. Serei eu digno de tamanho elogio? Custa-me a crer, aliás, tenho a certeza que não. Como tal e para o provar, passo a expor tudo o que sei sobre o assunto. Verão que é irrisório. Em todo o caso, muito obrigado.
«Es perito em tanga!!!»
Afixado por Stitch em dezembro 24, 2003 no Bicho de 7 Cabeças no post CONVERSA COM UM CABRÃO INSENSÍVEL
I - Introdução
Abro as hostilidades retirando do centro das atenções tudo o que não interessa. Em primeiro lugar, coloco imediatamente de parte toda a roupa interior masculina. A minha religião não me permite abordar o assunto. Em segundo, distingo tanga de qualquer peça de lingerie que cubra mais de 3% de área corporal da mulher. Aí entramos na classificação de cueca que, em casos extremos - a de gola alta - pode ganhar contornos assustadores, inclusivamente, causar disfunções erécteis graves. Tamanhos XL permitem ainda a construção de paraquedas, velas de pequenas embarcações de recreio ou ainda camas de rede. Mas isso ficará para uma qualquer rúbrica de bricolage a desenvolver futuramente. Enfim, outras guerras...
Recentrando-me na tanga, por mais diminuta que seja, desempenha um papel simbólico enorme. Enquanto se encontra vestida representa o papel da última provação do conquistador, da última protecção da intimidade, do último bastião da resistência, do Santo Graal. Uma vez retirada... inicie-se o chavascal!
Como facilmente se poderá depreender do acima exposto, a complexidade desta derradeira etapa justifica uma abordagem minunciosa à arte da tanga.
II - A arte de despir
Uma relação quer-se acalorada e participativa. Assim sendo, o papel do homem é fundamental. Deverá ser activo por forma a garantir igual empenho da parceira. Consoante o clima gerado, o homem poderá proceder à remoção da tanga por três processos distintos: à mão, com a boca, ou por processo misto de mãos e pés.
O primeiro é o mais adoptado por ser, obviamente, o mais natural. O homem retira a tanga com a ajuda de uma ou de ambas as mãos, percorrendo com ela(s) toda a extensão das pernas da mulher. É um método seguro e pacífico. Como todos os outros, pode ser feito de um modo meigo e terno ou, se preferido, à bruta.
Quando feito com o auxílio dos dentes, exige alguns cuidados prévios. Em primeiro lugar deverá dominar o ambiente. Não vai querer provocar um ataque de riso na sua, até aí, envergonhada amante. Em segundo lugar, no caso de se tratar do chamado fio dental, há que ter precauções não vá o mesmo ficar entrelaçado nos dentes. Uma ida ao dentista com o fio dental da parceira pendurado entre os incisivos pode tornar-se desagradável. Faço aqui um pequeno aparte para referir a perigosidade deste processo com cueca XL. Existem casos de morte por asfixia!
Por último, o método misto envolve o trabalho de mãos descrito em primeiro lugar, enquanto a boca desempenha o seu papel na parte superior do torso. Sem nunca a desviar dos seus propósitos, uma vez atingido o alcance máximo dos membros superiores, passam à acção os membros inferiores empurrando até aos pés a peça de roupa em questão. A simultaneadade de movimentos exige concentração e coordenação motora mas permite manter o ritmo da acção. É um processo que pode revelar-se mais rápido quando não são exigidos artifícios de actuação.
III - A projecção
Uma vez retirada, a tanga poderá ou não ser afastada do palco da acção.
Se a opção passar simplesmente por ignorar a sua localização depois de retirada, a sua presença no local pode tornar-se incómoda.
No meu humilde entendimento, a opção correcta deverá ser o seu afastamento imediato. Proceder-se à projecção da tanga. Mais uma vez, estamos em presença de duas modalidades distintas: o arremesso puro, simples e despreocupado ou o arremesso artístico. Se o primeiro não necessita de apresentações, o segundo requer um domínio técnico que o coloca ao alcance só de privilegiados. Existem inúmeras variantes. Aquela que recolhe a minha preferência é aquela que é empreendida aproveitano a energia potencial elástica da tanga. Assim, com um dos braços esticado para a frente e com o polegar virado para cima, entrelaça-se o elástico no dedo enquanto que a mão disponível estica a peça de roupa em direcção à cara. Uma vez atingido o ponto ideal, corrige-se a trajectória e solta-se permitindo que voe pelo ar até ao ponto seleccionado. Normalmente, aponto à maçaneta da porta. Quando isto é feito às escuras, o brilharete é garantido. Se, no entanto, a tanga tiver selo, ao acender a luz poderá verificar com desagrado que a mesma ficou colada na parede, a cerca de metro e picos do chão.
IV - A procura
A última fase. Uma vez cumprida (ou não) a tarefa que nos levou ali, resta empreender o trajecto contrário. É agora hora de vestir. O processo de encontrar a dita tanga é mais ou menos complexo e expedito consoante o método adoptado anteriormente e o seu respectivo sucesso. Cuidado porque a chegada de elementos estranhos ao serviço pode implicar rapidez acrescida na procura.
V - Conclusão
Como facilmente puderam verificar, o volume de conhecimento que aqui expus é patético e jamais digno do elogio que me foi prestado e do qual não julgo estar à altura.
Muito terá ficado por dizer. Espero que todos vós me ensinem algo.
Para terminar, os meus sinceros agradecimentos ao autor do comentário que me fez quebrar a minha promessa. O meu muito e muito obrigado!
[ Qua Dez 24 2003 ]
Estranharão alguns sectores mais conservadores do meu público, a linguagem em que me deixei cair no post anterior. Cedi à tentação fácil? Talvez. Mas reservo-me o direito de prestar homenagem a um amigo escrevendo à moda de...
Para terminar, toda e qualquer afirmação de cariz xenófobo é de única e exclusiva responsabilidade dos intervenientes. A minha fonte garantiu-me que conhece o amigo do avô do gajo que tinha um primo que disse que leu no jornal que havia um padre que jurava a pés juntos que aquilo tinha sido assim. E se o gajo garante...
[ Qua Dez 24 2003 ]
...
M: - Acalmem-se... tudo se há de resolver.
G: - Preto dum cabrão é sempre a mesma coisa. Um gajo diz-lhe para ele trazer um simples mapa e o animal esquece-se! Irra qu’é grunho!
B: - Diz lá isso outra vez ó whitie! Diz lá isso que eu chino-te os cornos! Ouviste filho da puta?
G: - Ouvi, ouvi. Vais chamar os amigos, é?
M: - Tenham calma...
B: - Só se para baterem palmas, bacano. Tal não vai ser a coça que vais levar!
G: - Volta para a tua terra! O que é que trazes na caixa? Liamba, não?
B: - Vê lá é se eu não te meto a caixa pelo cu acima.
G: - Bolinha baixa!
B: - Foda-se! EU TRAÇO-TE CABRÃO! TIRO-TE OS OLHOS!
G: - Cheira mal. Será que pisei merda?
B: - Anda cá que eu dou-te a merda!
M: - Calma, meus jovens companheiros de viagem, calma.
B: - Sai-me da frente qu’eu parto-lhe a boca toda.
G: - És capaz de dizer isso em rap ó...
B: - Ó quê, caralho? Ó quê?!
M: - Vocês param de discutir?
G: - Um mapa, caralho. Um simples mapa e este gajo não o traz. Sabes o que é ao menos?
B: - É agora. Filho da puta, é agora!
G: - É assim uma coisa de papel, com uns riscos, uma rosa dos ventos. Desculpa, não deves saber o que isso é! Se soubesses não andávamos aqui perdidos, às voltas!
B: - Anda cá caralho! Desce daí que eu tiro-te os dentes pelo cu!
G: - Isso gostavas tu ó paneleiro!
B: - Paneleiro? Vê lá não te vá ó cu!
M: - JÁ CHEGA! CAMBADA DE MOÇOS PEQUENOS. ESTAMOS PERDIDOS? POIS BEM, VOU NAQUELA DIRECÇÃO! QUEM QUISER VIR, FAÇA FAVOR, QUEM NÃO QUISER, FODA-SE! QUANDO DECIDIREM ACABAR COM A BIRRA VÃO ATRÁS DA ESTRELA.
G: - Melchior, já te disse, ali com o tiburcio não vou a lado nenhum.
M: - Gaspar! Vai à merda! Vai onde quiseres, com quem quiseres. (gajo dum cabrão!) Eu tenho mais que fazer!
M: - E TU, BALTAZAR, PÕE OS COLHÕES EM CIMA DO CAMELO E VAMOS EMBORA Ó O CARALHO. CARALHOS MA FODAM SE VOLTO A VIAJAR COM ESTES GAJOS!
(Já aquela gaja deu à luz e eu ainda aqui ando a aturar estes dois) E NÃO SE DESPACHEM NÃO, QUE COM A VONTADE QUE EU TENHO PARA MIJAR!...
[ Ter Dez 23 2003 ]
Nesta quadra natalícia, algo acordou em mim. Numa altura em que o mundo está virado do avesso, senti que tinha chegado a minha vez de fazer algo para o melhorar. Foi assim que hoje de manhã, enquanto ia para mais uma sessão de fisioterapia, resolvi doar o meu corpo à ciência. De preferência, ainda em vida. E já agora, pode ser a uma qualquer massoterapeuta estagiária, não me importo...
[ Qua Dez 17 2003 ]
Mas que merda! Não sai nada de jeito. Escrevo, apago, escrevo de novo para apagar outra vez. Melhor era dedicar-me a fazer crochet. Ou a qualquer outra coisa que não tenha absolutamente nada com o fazer correr letras que, ainda por cima, têm que fazer sentido. O tempo não está para boas disposições. Com as coisas que me têm acontecido ando a pensar ir outra vez falar com aquele gajo das barbas que ficou de rever o meu caso. Algo me diz que ainda não entrou ao serviço. Sabem como é. Função pública...
Mas voltarei meus amigos, voltarei! Entretanto penso ir para o Tibete em retiro espiritual. Para dar mais força e ênfase a esta minha decisão, ainda ponderei em mandar cortar o meu budazinho mas a irreversibilidade da medida já levou a que hordas de gajas devotas se manifestassem. Eram p’rái umas, sei lá... uma! Mas com o barulho não percebi se contra se a favor, como tal e pelo sim pelo não, fica... por enquanto! Confesso que a ideia de mijar sentado para o resto da minha vida também não me agradou.
Aguardem-me! Entretanto, não sei se já vos disse: tudo ao Bicho! (atenção: isto não é uma ordem para se jogar tudo à pilinha como se o apocalipse se aproximasse). À segunda-feira paro por lá. Esta semana o tema foi poligamia e eu já comecei a sofrer as consequências do que escrevi. Em vez de aproveitarem os ensinamentos...
[ Sáb Dez 06 2003 ]
...publicidade gratuita, descarada e sem qualquer qualidade inerente ao produto que a justifique.
É verdade, fui pai... de um bicho. E não estou a ser carinhoso. O gajo é feio como a mãe, de aluguer, puta também. Ainda por cima, seis outros pais compartilham as tarefas e responsabilidades inerentes à paternidade do animal. Bicho de Sete Cabeças. Lá escrevo à segunda feira (Alegorias da Caserna) para passar o resto da semana descansado. Acreditem, a orgia donde nasceu o pequeno monstro não é coisa que nos orgulhemos... Ao menos fui o primeiro...
[ Sáb Dez 06 2003 ]
Querido Pai Natal,
Chamo-me João. A minha mãe trata-me por Joãozinho. Ela gosta muito de mim. Escolhe a roupa para eu vestir, deixa-me ver os desenhos animados e prepara-me o Nestum todas as noites. O médico, que é um parvo, diz que há um gajo qualquer - Édipo, parece-me que é - que me anda a fazer mal. Eu não gosto de ir ao médico. A minha mãe diz que se eu não quiser, não vou. Afinal, tenho 28 anos e já sou quase adulto. Eu quero é que o senhor doutor tenha uma valente caganeira. Daquelas que lhe deixe esfíncter latejante até por volta do Dia de Reis (podes anotar este como o primeiro pedido oficial).
Aproveitando que estou numa onda de desarranjos intestinais, podes acrescentar à lista, o José Mourinho e o Deco (só porque são bons no que fazem e não deixam o meu Sporting chegar ao primeiro lugar), o Ferro Rodrigues (cagar por cagar, que o faça de esguicho!) e se, por iniciativa pessoal, achares por bem acrescentar o José Castelo Branco, atenção que pode trazer brinde valioso (sabe-se lá onde é que o gajo trazia as jóias).
A minha mãezinha diz-me que não posso querer tudo para mim, que tenho que pensar nos outros. Por mim tudo bem. Resolvi pedir a paz no mundo. Ela sentou-me nos seus joelhos e explicou-me que o mundo está cheio de homens maus e estúpidos e que isso é quase impossível, que nem tu consegues isso. Pensei então numa coisa mais ao teu alcance: "Mãe, queria saber como pensam as mulheres. Quero agradar-lhes!". A minha mãe, perdeu o seu lindo sorriso e começou a ditar: "Pai Na-tal (vírgula) A-ca-ba com as gue-rras por fa-vor (ponto de exclamação)"
Resolvida a questão do altruísmo, comecei a pensar nas minhas necessidades básicas. Para mim, porco capitalista-materialista-desavergonhado, quero pouca coisa: um carro (BMW Z4, BMW Z3, Honda S2000 ou MG ZT - por ordem decrescente de preferência), um portátil da Macintosh, um telemóvel novo, DVD’s (se quiseres saber quais, liga-me. São à volta de 50), CD’s (idem), livros (idem idem), uma viagem ao Perú, outra a São Tomé e Príncipe (antes que os homens maus e estúpidos estraguem aquilo), uma máquina digital da Leica, um candeeiro da Artemisa que fica a matar na minha secretária, uma prancha de snowboard, um kayak, a Marisa Cruz e a Fernanda Serrano (juntas ou separadas, tanto me faz). Como vês, não sou esquisito. Nem exigente...
E eu até acho que me portei bem... Não?
Sem outro assunto
Aguardo deferimento
[ Sáb Dez 06 2003 ]
Pai Natal,
Escrevo-te sabendo que não existes. Mesmo assim, faço-o... Peço-te encarecidamente que voltes. Que me faças acreditar outra vez.
Não me canso de olhar para o céu mas de ti nem sinal. Na televisão ensinam-me que o Natal se mede em euros. Irrito-me! E eu que só queria... Deixa lá. Se não existes, também não podes dar-me o que eu quero.
Por vezes, um beijo, um abraço, um palavra de olhos nos olhos, ou mesmo por telefone, são a melhor prenda do mundo, o embrulho que nos faz brilhar os olhos como crianças. Com a expectativa que lhes é própria, esperamos e esperamos por esse beijo, por esse abraço ou por esse olhar que nos fará felizes e que relativiza tudo o resto. E nem sempre custa. Às vezes basta um pouco de coragem.
Infelizmente, sei que não existes...
[ Ter Dez 02 2003 ]
Diário do Comandante - Dia 1 - Chegada
Indo eu, indo eu a caminho de Viseu, segui em frente pela A1 e fui parar a Aveiro. Cheguei para um fim de semana de três dias com amigos. Encontrar a pensão foi tarefa árdua. Uma vez lá, calhou-me um quarto com uma pequena cama, um lavatório quase ao estilo de mesa de cabeceira (mas aos pés da cama), espaço para os sapatos no chão desde que colocados um por cima do outro e uma janela. Apesar de não ter grande aspecto, tenho a certeza que não tem baratas. ...não cabem!
E o cheiro que não se pode?
Diário do Comandante - Dia 2
Quando chegar a casa, mando desinfectar o pijama. Cheira ao quarto. Um misto de mofo com vómito de ovos moles regados a vinho da Mealhada com pouco mais de 1h10 de permanência na cavidade estomacal de quero lá saber quem.
Elas saíram cedo. Nós, os homens, ficámos a dormir. Quando acordei, num gesto normal, abri a janela. Esperando ver o céu, deparei com uma parede e um telhado que cobria aquele exíguo saguão que me servia de paisagem. Fui ao duche que se impunha. Como é normal, a pensão dispensa, entre outros bens de primeira necessidade, sabonete para os banhos dos hóspedes. Azul e branco, neste caso. Sabão macaco. Essa instituição portuguesa...
Enfim, lá saímos um pouco mais tarde, tomámos o pequeno almoço e fomos ao que nos levou lá. Uma daquelas convenções cada vez mais em voga e que reúne os amantes de Fitness de todo o país. Coisa completamente fora da minha área profissional mas que eu tinha curiosidade em ver de perto. Resolvi, por isso, acompanhar os meus amigos, esses sim, parte profissionalmente interessada e, pela primeira vez na minha vida, viver um desses eventos de que tanto tinha ouvido falar.
Este primeiro dia foi de observação. Mulheres bonitas, não tantas quanto se podia pensar. Homens, a julgar pelos olhares de algumas que nos acompanhavam (as solteiras e descomprometidas, porque as outras são mulheres sérias), também os havia "com tudo no sítio".
Ao voltar a casa e como pequena compensação, constatámos que a pensão fica mesmo no centro nevrálgico da noite aveirense. Apesar disso foi uma soirée calma. Divertida, mas calma.
Vou-me deitar, mais uma vez, rapidamente para não pensar em quem poderá ter aqui dormido. Até amanhã!
Diário do Comandante - Dia 3
Acordei, abri a janela. O que vi já vocês sabem...
O dia foi muito semelhante. No entanto, hoje decidi experimentar várias daquelas aulas que nos fazem perder as nossas calorias e, por osmose, as do vizinho do lado. E mesmo para mim, homem relativamente bem preparado fisicamente, só tenho a dizer que os gajos são doidos. Os meus pulmões ficaram por lá. Não os achei. Pode ser que mos devolvam via postal... Estou-vos a escrever ligado às máquinas apesar dos incessantes apelos para me acabarem com o sofrimento e desligarem o quadro à saída.
Andei a provar aqueles produtos alimentares que existem um pouco por toda a parte em acontecimentos do género. Coisas lights, energétivcas e afins abundavam. Sabores havia vários: platex, cartão e madeira prensada.
E os ovos moles ali ao lado...
Diário do Comandante - Dia 4 - Regresso
Mais um dia (o último) da mesma rotina: Abrir janela, ver parede; tomar banho, ignorar o sabão azul; convenção, convívio.
Já extenuados fizémo-nos à estrada, rumámos ao sul e chegámos a casa donde vos estou a escrever e donde me despeço prestando homenagem aos companheiros de viagem com quem gostei muito de passar o fim de semana e de quem tive a ousadia de usurpar pequenos apontamentos para aqui os expor para memória futura.
Bem hajam...
[ Seg Nov 24 2003 ]
...e por isso se prosta a vossos pés suplicando por indulgência. Não interessam justificações. Apenas me interessa o respeito que devo aos meus leitores. Mas, acreditem, enquanto vos dirijo estas humildes e envergonhadas palavras, vergasto-me violentamente num acto de punição auto-infligida. Vivêssemos nos tempos da inquisição e eu estaria por esta altura num escuro e húmido calabouço, sendo alvo dum procedimento tão sádico quanto doloroso com o fim de me privar de uma qualquer parte do meu corpo pela qual tivesse desenvolvido um sentimento de amor muito grande. Como um amigo me alertou referindo-se ao post de Quinta-feira, 9 de Outubro do ano do senhor de 2003, Vasco da Gama não descobriu as costas do Brasil. Pedro Álvares Cabral, sim. A rota de VG ter-se-à aproximado bastante das Américas mas não acostou. Viu muita mulher nua e teve medo...
[ Sex Nov 21 2003 ]
Já anteriormente me assumi como um céptico. Não invalida isso que por vezes reflicta sobre as grandes questões da vida, coisas como "Quem somos?", "Donde vimos?", "Para onde vamos?", assuntos à partida difíceis de obter respostas científicas, certas e exactas. Algumas destas divagações mais ou menos filosóficas afligem-me verdadeiramente. Corroem-me.
A incerteza do destino. Gostaria de pensar que o destino de cada um é feito por cada qual dia após dia mas, de acordo com isto, o próprio conceito evapora-se no ar, perde consistência e razão de existir. A ideia da existência de uma qualquer entidade que traça a linha da vida de cada pessoa desde o momento em que nasce até que morre é, em muitos casos, bem mais confortante. Psicologicamente, o Homem parece ter essa necessidade intrínseca de se agarrar a algo que o transcenda de modo a viver em paz consigo mesmo.
Estranho é que eu, tal como aqui voltei a assumir, no meio de todo este cepticismo tenha decidido pedir contas a alguém de toda a merda que me vem acontecendo e que, em parte, me tem entupido a canalização por onde escorre a inspiração para escrever.
Perguntei a várias pessoas e lá me apontaram um tipo capaz de me responder a algumas das minhas angústias. Descreveram-me o gajo: é o presidente de uma das primeiras grandes multinacionais conhecidas, alto, já idoso mas com bom aspecto, barbas longas, solteiro mas com um filhO... Curiosa descrição já que parece que toda a gente conhece um amigo que tem um vizinho que trabalha com uma pessoa que já o viu mas, de facto, não conheci ninguém que o tivesse visto directamente. Enfim, lá parti à procura da dita figura. Entretanto, no meio da minha busca, conheci uma personagem que me indicou um outro velho sábio. "Mau!" pensei, "Então não era só um?!". Se a coisa não estava fácil, mais complicada ficou. Mas, pensando bem, deve ser uma tarefa árdua para uma pessoa só tomar conta de um tão grande universo. Deve haver vários. Curiosamente, este pensamento descansou-me. Significava isso que, existindo várias pessoas a desempenhar o mesmo papel, provavelmente, trabalhariam todos no mesmo sítio, sentados atrás de uma secretária, talvez por turnos. Alguém me haveria de atender... Provavelmente, e na pior das hipóteses tinham posto algum estagiário a tratar do meu caso... Tenho que resolver a questão depressa que isto está que já não se aguenta!
Ao preço a que as coisas estão, evito fazer chamadas inter-estrelares mas, desta vez, teve que ser. Depois de várias insistências, disseram-me que a pessoa de quem eu andava à procura estava de baixa. Depressão. Ao que parece, o trabalho não lhe tem corrido bem. Está tudo numa balbúrdia e ele não consegue pôr mão nisto. Foi-se abaixo... Coitado. Imagino-o sentado ao balcão de um qualquer bar pacato sob um foco de luz rasca, amarela, bebendo uma qualquer bebida alcoólica em doses sucessivas, enquanto pensa na sua vida ao som de um qualquer artista de música ligeira lá do sítio. Parece que já lá estão alguns e dos mais variados campos musicais (Há outros que nunca mais chega a hora de partirem!... Paz à sua alma). Na televisão dá um qualquer jogo de qualquer coisa... Não interessa. Ele está farto. E eu também... De repente, resolvi não o incomodar. Terá com certeza problemas maiores que os meus. Pode ser que eu me desenmerde sozinho...
Vem aí o fim de semana. Pode ser que o céu abra e finalmente faça sol...
[ Dom Nov 09 2003 ]
"Arrepiante!" Adjectivo a correr insistentemente em rodapé durante a transmissão de um jogo do Sporting e que antecipava uma notícia que dava conta do que se tinha passado nessa tarde durante as filmagens de uma qualquer novela portuguesa. Aparentemente, a equipa terá sido assolada por uma má-disposição generalizada e inexplicável. Ao mesmo tempo, todos os equipamentos falharam e rapidamente os rumores da assombração do local começaram a circular.
Arrepiante foi ver a Patrícia Tavares, actriz em filmagens, a mudar de personalidade e a ter que ser transportada de volta ao hotel. Qual cena do filme EXORCISTA, imaginem a P.T. a ser assolada por um ataque agudo de acne purulento, com a cabeça a andar à roda e a gritar no mais indecoroso calão "Fode-me! Fode-me!" enquanto vomitava o cozido à portuguesa que tinha comido ao almoço. (Por motivos óbvios, vou aqui omitir a parte em que ela se terá masturbado com o crucifixo. Poderia ofender algumas sensibilidades religiosas...).
Arrepiante o modo como a legião de beatas se apressou a confirmar a assombração.
Arrepiante pensar que há por aí alguém a insultar a minha inteligência com fenómenos para anormais, desculpem... paranormais e espere, com isso, elevar as audiências.
Arrepiante pensar que, provavelmente, vão conseguir!
Arrepiante!...
[ Seg Nov 03 2003 ]
Na passada semana fui atacado pelo vírus influenzae. Gajo antipático que me deixou às portas da morte. Bati, como ninguém respondeu, vim-me embora.
Estou desconfiado que sei quem me contagiou com o raio da gripe. Acho que foi Portugal que me tossiu para cima. Também não é de estranhar que com o tempo a arrefecer e o país de tanga, o nosso cantinho à beira mar plantado se constipe. E nem os supositórios do Portas - aqueles em forma de submarinos que eu não sei onde é que ele os vai enfiar - lhe baixam as febres e acabam com a especturação.
Contou-me uma vizinha que para além da gripezita, parece que economicamente, o país anda a braços com uma prisão de ventre que a espaços descamba em diarreia verbal, principalmente, quando se fala em criancinhas. Demasiada merda para uma nação tão pequenita. E o cheiro que já não se aguenta?!
Não satisfeito, anda meio mundo nervoso com a mesma conversa que dia após dia tem que gramar nas notícias, com as prestações da casa cada vez mais difíceis de pagar, com as escutas... Não há por aí um Xanax para a malta?
E já agora, um médico, não se arranja? Mas um daqueles verdadeiros. O do Bibi, não!