Nos últimos anos, quando chega “O” calor, dou por mim a pensar que não faz sentido que um país com o nosso clima, nomeadamente no que ao Alentejo diz trespeito, ter perdido aquilo que eu gostei de apelidar de “Culto da Sombra e da Água” – dois elementos essenciais na criação de qualquer ambiente urbano. Ou, pelo menos, deveria ser. Mas, quando os espaços verdes se “medem” através do número de árvores plantadas, quando a água enquanto elemento refrescante é ignorada, quando os espaços para “estar” são cada vez menos (nem vou falar em intervenções urbanas pouco criteriosas nestes aspectos), a malta morre de calor, gasta dinheiro em ares condicionados e na energia que os faz trabalhar e nem por isso tem gosto em (con)viver na rua.
Plantar árvores nos passeios não é sinónimo de criar espaços verdes. Relvar os espaços sobrantes entre construções, muito menos. A vivência urbana tem que ser uma experiência única, pensada em todas as suas vertentes – social, ambiental, arquitectónica, urbanística. Contas de matemática de somar e subtrair à volta de números dão resultados absolutamente abstractos quando não são reflexo de intervenções de qualidade. Saber que se plantaram mil e tal árvores não me dá vontade de ir para a rua passear, ir às compras, a uma esplanada ou simplesmente olhar para a minha cidade. Saber que plantaram uma mas que o fizeram fruto de uma abordagem global e integrada com resultado de qualidade, dá-me vontade disso e muito mais.
Números? Números não fazem sombra. Números não refrescam. Números? Só o do telemóvel do amigo para lhe dizer que não vou sair de casa porque está muito calor.
Fui cumprir o meu dever cívico. Esta afirmação pode parecer-vos extemporânea mas isso seria se eu me referisse ao dever de votar consagrado na constituição. Não, não me refiro a isso. Refiro-me ao outro, ao “verdadeiro” dever cívico que anda por aí no ar: fui apoiar a “selecção de todos nós”, lá, ao estádio. De facto, isto de imiscuir o futebol na cidadania não é mais do que a formalização da tendência generalizada que este país sofre para a futebolite. Esta infecção aflige-nos de tal modo que até a política já busca nos seus meandros inspiração para atrair as massas tal como o futebol o faz. Insultos, jogadas pouco claras, fintas e simulações… Há de tudo! (refiro-me à política, claro!) Ainda hei de ver o Ferro Rodrigues a fazer uma entrada a pés juntos às canelas do durão Barroso. Abstenção? Só na política porque no futebol… Dos 61% que se abstiveram de ir votar, quantos ficariam na praia em detrimento dum jogo da nossa selecção? Contra o futebol, nem dez Saramagos conseguiam o que quer que fosse.
Portanto, de uma vez por todas e já que se fala em alterar a Constituição, consagre-se o dever de apoiar a equipa de futebol das quinas incondicionalente e permita-se que se vote por desporto.
Só para que conste: fiz ambas!
Ah, é verdade! Portugal ganhou à sua congénere Russa.
…e viva o Euro que encheu Portugal de mulheres bonitas. (Desculpem-me as portuguesas mas a vocês vejo-vos eu o ano inteiro!)
Desta vez fui ao Super Bock Super Rock. No dia 11. Aquele que, supostamente, seria o melhor dum festival que comemorava a sua 10ª edição. Supostamente porque, embora não aprecie, a cerveja acabou a meio da noite (isto não era patrocinado pela Super Bock???!!!), as restantes bebidas bem mais cedo, o número de postos de venda de comes e bebes eram insuficientes, as casas de banho, idem, as filas eram enormes para tudo, a iluminação quase nula, etc, etc, etc... E musicalmente também não foi o que estava à espera.
Ou melhoram as condições, ou tragam o festival para o velhinho Coliseu de onde não devia ter saído.
EU FUI!... mas naquelas condições, NÃO VOLTO LÁ!
Períodos de muito trabalho têm destas coisas: normalmente intercalo grandes desbundas (isto para utilizar uma linguagem in). Desta vez, como avisei, o dia 29 do Rock in Rio. Grande dia! Novidade, novidade, só o Gilberto Gil que não conhecia ao vivo. Muito bom! Ben Harper, o que se sabe: a admiração recíproca entre o virtuosismo do artista e Portugal resulta, invariavelmente, em grandes espectáculos. Peter Gabriel, para mim, um dos grandes (maiores) artistas vivos não foi surpresa, foi confirmação, foi oportunidade de o rever depois de o ter feito à um ano atrás (podia dissertar sobre o trabalho dele mas não me apetece. Vou-me ficar por aqui e já é pedantismo qb).
Gostei tanto de tudo que resolvi voltar lá no último dia. A chamar-me o incontornável Sting. Inesquecível o espectáculo, as 100 mil pessoas que entoaram em coro a mais fantástica interpretação do velhinho Roxanne que eu já ouvi.
Trinta e um anos depois do desembarque na Normandia das tropas aliadas, nasci. Sessenta anos depois, estava a ouvir Sting ao vivo. Que belo aniversário!

Lá pelo meio anunciaram que daqui a dois anos haverá mais. EU VOU!