Um post na Praça fez-me precipitar o que eu vinha a adiar. Actualmente em processo de reconciliação com a fotografia, ler o que ali foi escrito aguçou-me o apetite para voltar a falar e discutir fotografia. Mas, por enquanto, ficam as intenções e uma ou outra imagem que me cair das gavetas enquanto por lá andar à procura de momentos... Se calhar preciso de pôr cá fora o que fiz para exorcizar definitivamente o passado e enfrentar o futuro sabendo à partida que será diferente.
Mas voltarei a este assunto mais tarde. Outro dia. Outra noite...

Infelizmente, não vou poder ir. Gostava de estar na primeira edição. Não faz mal. Estarei em muitas outras, por certo.
Se alguém der lá um pulinho, eu agradecia o relato.
Esta nem que me pendurem pelos pés e me espanquem com um varapau... Daqui não sai nada!!!!
Também gostei do Aldo Lima.
É nestas alturas que eu gostava de viver mais próximo do mar. De certeza que não estava em frente ao computador...
Eu até ia voltar ao trabalho mas a leitura deste post da Marta - a mesma Marta que deixou um comentário dando conta da sua posição mas não deixou link ao seu próprio blog e ao qual eu só cheguei passando pela Praça (Marta, sou muita coisa mas médium ainda não) - acordou o meu bichinho carpinteiro e pôs-me a teclar que nem um doido a escrever, apagar e escrever de novo para nada ficar por dizer. Mesmo assim…
Tenho andado a pensar no assunto. Porque é que numa cidade que, aparentemente, parece ter alguma actividade cultural – e estou a falar de Beja - esta aparece dispersa e quase órfã de público? De facto, parece não haver estratégia, fio condutor na planificação desta coisa tão estranha que é a Cultura.
O vazio que existia(?) foi(?) preenchido, em parte, por uma “elite” (e deixem-me por o termo entre aspas) que parece querer movimentar a cidade em termos culturais mas que, em meu entender, recai num erro fulcral que hipoteca as suas intenções: a falta de estratégia no que toca à pedagogia e criação de rotinas junto da população em geral. Falo da população em geral porque, quer se goste quer não, o sucesso de uma política cultural depende do seu impacto junto das massas. E não estou com isto a falar de arte popular, estou a falar de educação. Ter unicamente acontecimentos culturais de baixos parâmetros de qualidade ou dedicados a públicos estritos, letrados, versados, ou seja, “elites” (não se esqueçam das aspas, por favor) torna a Cultura num acto autista. Obviamente que reconheço as virtudes e necessidade de artes de teor mais conceptual, mas estas (e a falta de qualidade de muitas outras) tendem a, numa fase inicial desta educação e desacompanhada do devido enquadramento, afastar o público (adultos e crianças, estas últimas parte fundamental desta aposta) dos meandros culturais. É por isso que acho – e agora vou dizer algo que vai fazer muita gente mandar as mãos aos cabelos – que a política cultural desta cidade, a existir, se devia apoiar mais no planeamento a longo prazo fazendo um esforço para criar referências tanto a nível nacional com a organização de um ou dois eventos (festivais de cinema, música, teatro,…) como a nível local chamando a si acontecimentos mais – e cá vem o palavrão – mainstream porque é a estes que, numa primeira fase, o público mais adere. É caro? Por certo. Mas a Cultura é um investimento valiosíssimo, porém impossível de quantificar, conceito estranho a alguns políticos mais agarrados aos números. E sim, concordo com a Marta quando diz que este banho de cultura deverá ser frenético e incessante. Esse ritmo é indispensável na criação de hábitos. E agora que está a chegar um Cine Pax-Julia novinho em folha, espero que este se afirme como uma charneira importante na vida cultural do Baixo Alentejo, do interior de Portugal e, porque não, do país em si (porque Beja não chega). E há outra coisa em que não acredito, na gestão de espaços culturais em part-time. Não pela eventual falta de dedicação de quem lá está (porque sei que não é assim) mas porque, para além da boa vontade, a Cultura é abrangente exige exclusividade, capacidade, devoção, profissionalismo para obter os resultados pretendidos. E mais uma vez, sim, isso custa dinheiros. Euros e euros…
Observados os resultados da implantação de uma política concertada e devidamente panificada, acredito então que floresça em seu redor todo um conjunto sinergias de estruturas de suporte a este “mercado”. Só então poderemos pensar na sustentabilidade desse esforço comum.
O papel de qualquer autarquia a este nível, mais do que gerir impulsos desafinados entre si, deverá ser o de traçar e assumir um programa de desenvolvimento cultural real, abrangente e a longo prazo, solto das pressões da obtenção de resultados imediatos. Os resultados, esses, virão mais tarde quando, finalmente, pudermos tirar as aspas à nossa ”elite” cultural.
...completamente! Sou um ávido consumidor de David Lynch. Não é uma descoberta recente, muito pelo contrário, é um amor antigo. Ainda hei de ver este gajo a fazer um filme que explore a angústia humana aos limites. Poucos o conseguem como ele através duma articulação única de som, fotografia, composição, encadeamento e ritmo cénicos.
Ouviste David? Já pensaste nisso? Fazer aquilo a que nós vulgarmente chamamos de "terror"? Mas dos bons... sem sangue.
Estive a rever algumas coisas e lembrei-me disto antes de me deitar.
Boa noite e até amanhã.
Tenho comprado, sobretudo, música portuguesa. Não porque está na moda, não por qualquer tipo de convicção parva mas porque, como amante da música, tenho vindo a ficar muito agradado com a qualidade da música de produção nacional. Tanto em projectos já existentes como outros que recentemente emergiram, a qualidade da música que se faz em Portugal está em crescendo e faz-me lembrar o início da década de 80. Embora já longe da imberbe mas marcante música de então, o início do século XXI vai ficar por certo marcado como mais uma época áurea da nossa música. A globalização e a facilidade de acesso aos meios e à informação tem destas coisas boas... p'ra variar.
Assim sim, faz sentido falar de música portuguesa. Não acredito em quotas (nas rádios), acredito em qualidade.
E Beja? Existem alguns projectos interessantes mas... poderemos pensar em desenvolvimento ou estaremos, como sempre estivémos, dependentes de lampejos de génio ocasionais? Não deixo de achar alguma estranheza ao facto de, numa cidade com conservatório, não existir um sítio, pequeno que seja, onde se criem rotinas de exibição ao vivo de grupos locais, regionais, nacionais ou até, porque não, estrangeiros. O mesmo se passa com outras áreas da cultura. Mas sobre esse assunto debruçar-me hei um dia destes.
«...e ele deu-me a resposta que eu já esperava: veio por sentimento de dever, de se sentir útil uma vez na vida, para preencher um vazio, por desafio intelectual. Em suma, uma armadilha clássica. (...)você não é homem para isto e sabe-o bem. Está fora do seu mundo e não acredita nos valores que é suposto representar e defender. Mas agora sente-se preso e não sabe como se há-de libertar. Mas que crime cometeu você para se atribuir esta autopuinição?»
in EQUADOR por Miguel Sousa Tavares
Gostava de viver numa cidade que não fosse a minha. Gostava de viver numa cidade que não tomasse como minha, em que os seus problemas e os das suas gentes não fossem para mim irritantes micoses crónicas. Gostava de viver numa cidade que não condenasse grande parte das pessoas com enorme potencial a rumar a outras paragens. Talvez por isso admire os que ficaram. Talvez por isso tenha querido um dia ser como eles. Quis mas já não quero. Quero fugir, quero para mim muito mas daqui pouco levo.
Acreditem quando digo que gostaria de me ver realizado em Beja. Sei que há muito trabalho para ser feito. Todavia sei também que há muito mato a desbravar e neste momento estou sem as forças e a vontade que me moveram outrora. O pior? Os inúmeros jovens que, como eu, se vêm confrontados com esta realidade. É assim que se fere de morte uma cidade. Não é um programa Polis que a condena a definhar. É a falta de sangue nas suas veias.
Post scriptum - Nada me dará mais prazer do que no futuro poder dizer acerca do que escrevi: "já não faz sentido!".
Tudo muda…
Enquanto estive longe muita coisa mudou à minha volta. Também por isso sou outro. E sou-o porque houve coisas em mim que mudaram, porque a cidade em que vivo mudou, porque as pessoas mudaram.
…Terá tudo isto mudado de facto ou serei só eu?
Serão, de facto mudanças ou será apenas mais do mesmo? Será precisamente este “mais do mesmo” que me/nos transforma invariavelmente em determinado ponto da vida? Será esta altura previsível?
Há quem diga que mudei para pior. Eu digo que foi um reflexo. Mas acho que acordei. Pelo menos sinto a calma a apoderar-se de mim… finalmente. Infelizmente, não vem só. Trouxe alguma tristeza e angústia com ela.
Que transformações são essas? Como vivemos nós com elas? Moldamo-nos ou resignamo-nos? Se nos moldarmos, vivemos, se nos resignarmos passamos pela vida qual insecto saído da pena de Kafka.
Tudo muda… para melhor?
Voltei. Não tinha vontade de o fazer mas fi-lo. Não queria sequer espreitar pela nesga da porta que deixei entreaberta para a luz entrar. Muito menos desligar a máquina que há já um tempo prendia à vida este blog doente. Abandonei-o à sua sorte esperando que ele se fosse embora. Não foi...
Voltei. Confesso que o fiz para responder ao apelo/ordem/proposta/desafio de um amigo. Agora espero que ele cumpra a sua parte... Por aqui apenas posso garantir que este espaço vai ser diferente porque o mundo de quem o escreve também mudou...
Sei que vou ter alguns comentários de congratulação pelo regresso (sei-o porque os amigos são assim - óbvios) mas - perdoem-me pela agressividade - neste momento, isso pouco me interessa...
Voltei. Voltei mas... estarei mesmo aqui?