Eu até ia voltar ao trabalho mas a leitura deste post da Marta - a mesma Marta que deixou um comentário dando conta da sua posição mas não deixou link ao seu próprio blog e ao qual eu só cheguei passando pela Praça (Marta, sou muita coisa mas médium ainda não) - acordou o meu bichinho carpinteiro e pôs-me a teclar que nem um doido a escrever, apagar e escrever de novo para nada ficar por dizer. Mesmo assim…
Tenho andado a pensar no assunto. Porque é que numa cidade que, aparentemente, parece ter alguma actividade cultural – e estou a falar de Beja - esta aparece dispersa e quase órfã de público? De facto, parece não haver estratégia, fio condutor na planificação desta coisa tão estranha que é a Cultura.
O vazio que existia(?) foi(?) preenchido, em parte, por uma “elite” (e deixem-me por o termo entre aspas) que parece querer movimentar a cidade em termos culturais mas que, em meu entender, recai num erro fulcral que hipoteca as suas intenções: a falta de estratégia no que toca à pedagogia e criação de rotinas junto da população em geral. Falo da população em geral porque, quer se goste quer não, o sucesso de uma política cultural depende do seu impacto junto das massas. E não estou com isto a falar de arte popular, estou a falar de educação. Ter unicamente acontecimentos culturais de baixos parâmetros de qualidade ou dedicados a públicos estritos, letrados, versados, ou seja, “elites” (não se esqueçam das aspas, por favor) torna a Cultura num acto autista. Obviamente que reconheço as virtudes e necessidade de artes de teor mais conceptual, mas estas (e a falta de qualidade de muitas outras) tendem a, numa fase inicial desta educação e desacompanhada do devido enquadramento, afastar o público (adultos e crianças, estas últimas parte fundamental desta aposta) dos meandros culturais. É por isso que acho – e agora vou dizer algo que vai fazer muita gente mandar as mãos aos cabelos – que a política cultural desta cidade, a existir, se devia apoiar mais no planeamento a longo prazo fazendo um esforço para criar referências tanto a nível nacional com a organização de um ou dois eventos (festivais de cinema, música, teatro,…) como a nível local chamando a si acontecimentos mais – e cá vem o palavrão – mainstream porque é a estes que, numa primeira fase, o público mais adere. É caro? Por certo. Mas a Cultura é um investimento valiosíssimo, porém impossível de quantificar, conceito estranho a alguns políticos mais agarrados aos números. E sim, concordo com a Marta quando diz que este banho de cultura deverá ser frenético e incessante. Esse ritmo é indispensável na criação de hábitos. E agora que está a chegar um Cine Pax-Julia novinho em folha, espero que este se afirme como uma charneira importante na vida cultural do Baixo Alentejo, do interior de Portugal e, porque não, do país em si (porque Beja não chega). E há outra coisa em que não acredito, na gestão de espaços culturais em part-time. Não pela eventual falta de dedicação de quem lá está (porque sei que não é assim) mas porque, para além da boa vontade, a Cultura é abrangente exige exclusividade, capacidade, devoção, profissionalismo para obter os resultados pretendidos. E mais uma vez, sim, isso custa dinheiros. Euros e euros…
Observados os resultados da implantação de uma política concertada e devidamente panificada, acredito então que floresça em seu redor todo um conjunto sinergias de estruturas de suporte a este “mercado”. Só então poderemos pensar na sustentabilidade desse esforço comum.
O papel de qualquer autarquia a este nível, mais do que gerir impulsos desafinados entre si, deverá ser o de traçar e assumir um programa de desenvolvimento cultural real, abrangente e a longo prazo, solto das pressões da obtenção de resultados imediatos. Os resultados, esses, virão mais tarde quando, finalmente, pudermos tirar as aspas à nossa ”elite” cultural.
Porque se continua a insistir em ignorar o desporto extra futebol, porque dum modo geral se faz o mesmo com outros acontecimentos de igual importância noutras áreas da sociedade, porque ainda não se compreendeu o valor da divulgação, porque ainda acham que ninguém se interessa por nada, tomei a liberdade de abrir (mais uma vez) este cantinho para dizer às pessoas em geral (mas em particular aos bejenses) que entre os dias 27 e 30 de Maio vai ter lugar na nossa cidade a FASE FINAL DO NACIONAL DE JUVENIS MASCULINOS EM ANDEBOL com participação de uma equipa da casa. Um rebuçado para quem, de entre a lista dos finalistas, adivinhar qual é... ABC, Académico do Funchal, Benavente, FC Porto, SL Benfica e Zona Azul. O nosso pavilhão multiusos vai honrar o nome e transformar-se num campo da modalidade.
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