novembro 06, 2004

BEJA BLOGUES 2004

Falou-se de muita coisa. Falou-se com paixão. Mais do que eu alguma vez terei pela blogosfera, pelos blogues… Já sabia e confirmei: não sou blogger, não visto a camisola, são raros os blogues que leio, que comento, não tenho pachorra para procurar outros, interagir com mais do que os dois ou três habituais que gosto verdadeiramente de visitar. Nem sequer gosto de participar em discussões sobre o tema à mesa do café. Fi-lo hoje porque por genuíno interesse mas também por curiosidade sociológica, se quiserem. Reafirmei, por isso, a certeza que estou de passagem, que as Caves sobrevivem à sombra da indiferença pois é aí que quero que estejam, pois se assim não fosse não cumpririam o seu papel terapêutico, de placebo. Estarão cá enquanto me forem úties.
Apesar disso, pareceu-me que o encontro foi bem sucedido, contou com um número razoável de bloggers. Em meu entender, faltaram os não bloggers, os cidadãos comuns, os leitores e os não leitores com vontade de discutir o tema. Aí sim, acreditarei da importância dos blogues no seu geral (não somente no universo restrito de meia dúzia) que realmente têm importância na nossa vida.
Parabéns a quem liderou a iniciativa e que, visivelmente, ama o que faz.

Publicado por João Ilhéu em 07:31 PM | Comentários (7) | TrackBack

novembro 03, 2004

ENQUANTO LÁ FORA CHOVIA...

«There’s a storm outside, and the gap between crack and thunder
(...) is closing in
The rain floods gutters, and makes a great sound on the concrete
On a flat roof, there’s a boy leaning against the wall of rain
Aerial held high, calling come on thunder, come on thunder

Sometimes...» by Tim Booth (James)

Grande, grande concerto!

Publicado por João Ilhéu em 12:21 AM | Comentários (7) | TrackBack

outubro 24, 2004

GROTESCO EM TONS DE ROSA

Engraçada, a obra do acaso. Ontem, enquanto manuseava alguns DVDs numa conhecida cadeia de lojas da capital ligada ao audiovisual, reparei que alguém ao meu lado procurava o mesmo que eu. Até aqui, nada de extraordinário não fosse o facto de essa pessoa ser minha conhecida. Rapidamente começámos a discutir cinema, discussão essa que culminou com a sua sugestão para este filme de 1932. O que me contou do filme cativou-me a tal ponto que o trouxe comigo. E que fantástica sugestão. "FREAKS" ("Aberrações" em português) é uma história de amor não correspondido, com jogos de interesse pelo meio. Aparentemente, o filme não teria nada de extraordinário não fosse o facto de o elenco ser composto quase exclusivamente por pessoas com deficiências físicas daquelas que na década de 30 do século XX as arrastava para vidas no circo e as rotulava de "aberrações". Apesar grotesco, o filme não é um filme negro a não ser nos seus apontamentos de humor. Pelo contrário, confere às personagens uma humanidade que nessa altura dificilmente lhes seria reconhecida (lembrem-se que estávamos em 1932), fazendo das personagens "normais" as aberrações da história.
Uma história de elevado cariz moralizante, grotesco mas, ainda assim, cor de rosa e sem preconceitos no modo como aborda a história.
Descobri um filme fascinante, de culto. Vou ter que tomar as outras sugestões que ele me fez em consideração. A ver!

Publicado por João Ilhéu em 10:20 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 20, 2004

I NEED FICTION

"I need fiction. I wish I could find a good film to live in." "Fiction" by Plaza
Sugestões?

Publicado por João Ilhéu em 03:08 PM | Comentários (6) | TrackBack

outubro 19, 2004

COFFEE AND CIGARETTES

Cigarros e café sobre uma mesa de tampo aos quadrados pretos e brancos são o fio condutor para um desfile de pequenas histórias que roçam o burlesco em que as personagens aparecem no filme algo deslocadas do glamour da sua existência, gravitando em torno de uma mesa de café numa atitude simultaneamente desconstrutivista da sua personalidade e humanista no modo como apresenta a sua imagem. Qualquer coisa como um Readymade cinematográfico...

Publicado por João Ilhéu em 12:52 AM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 18, 2004

ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE...

Grande, grande filme. Tive, finalmente, oportunidade de confirmar a excelência da "Vida de Brian", para muitos (e agora também para mim) a melhor das longas metragens do Monty Phyton - comediantes ingleses, vanguardistas, geniais, inteligentes... A Vida de Brian não é mais nem menos do que uma fortíssima crítica ao cristianismo tal como o conhecemos maquilhada com um humor refinadíssimo. Carregado de ironia, este filme é um marco na história do cinema. A sua consistência é tal que o (sor)riso é incontido ao sermos confrontados com o ridículo das situações que, regra geral, não são mais do que questões legítimas com as quais já alguma vez ao longo da nossa vida nos confrontámos. É, sem sombra de dúvida, um ícone na história da comédia cinematográfica. Só um filme destes para me alegrar um fim de semana que começou com o adiamento de alguns planos imediatos. Afinal de contas, como canta o gajo que está lá atrás na música que termina o filme enquanto está pregado na cruz: "...Always look on the bright side of life"

Publicado por João Ilhéu em 12:26 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 13, 2004

OLÁ PEOPLE DO CC!

Sejam bem vindos!

Publicado por João Ilhéu em 05:21 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 12, 2004

BEJA, WE HAVE A PROBLEM.

Constou-me que a Agência Espacial Europeia pondera a hipótese de fazer de Beja uma das suas bases de lançamento. De louvar! Mas... com o que tenho visto por aí... não é nisto que estão a pensar, pois não?


Ideia (desprezível) de João Ilhéu
Artista convidado responsável pela magnífica fotomontagem, o grande JóJó do entretanto finado J Sex Bar.

Publicado por João Ilhéu em 09:10 PM | Comentários (7) | TrackBack

outubro 10, 2004

PARABÉNS...

As Caves abriram portas há um ano... e dez dias! Pois foi, esqueci-me! Raio de pai que eu sou. Nem uma prendinha...

Publicado por João Ilhéu em 10:19 PM | Comentários (7) | TrackBack

outubro 09, 2004

AUSÊNCIA...

1. Tenho andado arredado das Caves. Tenho preferido aproveitar os amigos.
2. Tenho andado arredado das Caves. O amigo que me desafiou tem-se andado a fazer esquecido...
3. Tenho andado arredado das Caves. Tenho ideias mas não tenho muito tempo nem vontade para as pôr em prática. Solução: convidar alguns "artistas" a participar. Mas eles também não se desenvencilham...

Publicado por João Ilhéu em 09:18 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 01, 2004

ENCONTRO DE BLOGS EM BEJA

Desta vez não é preciso andar muito. O Programa está afixado na Praça.
Bute lá...

Publicado por João Ilhéu em 09:20 PM | Comentários (1) | TrackBack

DIZ QUE DISSE...

1h00 da manhã. Se calhar a estas horas já estavam a dormir mas eu não me queria deitar sem deixar de vos encaminhar para este fantástico site. É incrível o que passa pela cabeça de um gajo. Vale uma leitura atenta.
www.dizquedisse.com
...e é nacional!

Publicado por João Ilhéu em 01:06 AM | Comentários (3) | TrackBack

setembro 30, 2004

FOTOGRAFIA

Um post na Praça fez-me precipitar o que eu vinha a adiar. Actualmente em processo de reconciliação com a fotografia, ler o que ali foi escrito aguçou-me o apetite para voltar a falar e discutir fotografia. Mas, por enquanto, ficam as intenções e uma ou outra imagem que me cair das gavetas enquanto por lá andar à procura de momentos... Se calhar preciso de pôr cá fora o que fiz para exorcizar definitivamente o passado e enfrentar o futuro sabendo à partida que será diferente.
Mas voltarei a este assunto mais tarde. Outro dia. Outra noite...

Publicado por João Ilhéu em 11:10 PM | Comentários (2) | TrackBack

setembro 29, 2004

INDIELISBOA 2004


Infelizmente, não vou poder ir. Gostava de estar na primeira edição. Não faz mal. Estarei em muitas outras, por certo.
Se alguém der lá um pulinho, eu agradecia o relato.

Publicado por João Ilhéu em 10:34 PM | Comentários (3) | TrackBack

setembro 26, 2004

THE WOMAN IN RED (BULL) - parte IV

Esta nem que me pendurem pelos pés e me espanquem com um varapau... Daqui não sai nada!!!!
Também gostei do Aldo Lima.

Publicado por João Ilhéu em 03:15 PM | Comentários (8) | TrackBack

setembro 25, 2004

ÓH MAR, OH MAR, OH MAR...

É nestas alturas que eu gostava de viver mais próximo do mar. De certeza que não estava em frente ao computador...

Publicado por João Ilhéu em 01:55 PM | Comentários (2) | TrackBack

setembro 24, 2004

ESTOU LYNCHADO

...completamente! Sou um ávido consumidor de David Lynch. Não é uma descoberta recente, muito pelo contrário, é um amor antigo. Ainda hei de ver este gajo a fazer um filme que explore a angústia humana aos limites. Poucos o conseguem como ele através duma articulação única de som, fotografia, composição, encadeamento e ritmo cénicos.
Ouviste David? Já pensaste nisso? Fazer aquilo a que nós vulgarmente chamamos de "terror"? Mas dos bons... sem sangue.
Estive a rever algumas coisas e lembrei-me disto antes de me deitar.
Boa noite e até amanhã.

Publicado por João Ilhéu em 01:18 AM | Comentários (4) | TrackBack

setembro 23, 2004

MÚSICA PORTUGUESA (NÂO A «PIMBA», A OUTRA...)

Tenho comprado, sobretudo, música portuguesa. Não porque está na moda, não por qualquer tipo de convicção parva mas porque, como amante da música, tenho vindo a ficar muito agradado com a qualidade da música de produção nacional. Tanto em projectos já existentes como outros que recentemente emergiram, a qualidade da música que se faz em Portugal está em crescendo e faz-me lembrar o início da década de 80. Embora já longe da imberbe mas marcante música de então, o início do século XXI vai ficar por certo marcado como mais uma época áurea da nossa música. A globalização e a facilidade de acesso aos meios e à informação tem destas coisas boas... p'ra variar.
Assim sim, faz sentido falar de música portuguesa. Não acredito em quotas (nas rádios), acredito em qualidade.
E Beja? Existem alguns projectos interessantes mas... poderemos pensar em desenvolvimento ou estaremos, como sempre estivémos, dependentes de lampejos de génio ocasionais? Não deixo de achar alguma estranheza ao facto de, numa cidade com conservatório, não existir um sítio, pequeno que seja, onde se criem rotinas de exibição ao vivo de grupos locais, regionais, nacionais ou até, porque não, estrangeiros. O mesmo se passa com outras áreas da cultura. Mas sobre esse assunto debruçar-me hei um dia destes.

Publicado por João Ilhéu em 11:22 PM | Comentários (3) | TrackBack

setembro 20, 2004

VOLTEI

Voltei. Não tinha vontade de o fazer mas fi-lo. Não queria sequer espreitar pela nesga da porta que deixei entreaberta para a luz entrar. Muito menos desligar a máquina que há já um tempo prendia à vida este blog doente. Abandonei-o à sua sorte esperando que ele se fosse embora. Não foi...
Voltei. Confesso que o fiz para responder ao apelo/ordem/proposta/desafio de um amigo. Agora espero que ele cumpra a sua parte... Por aqui apenas posso garantir que este espaço vai ser diferente porque o mundo de quem o escreve também mudou...
Sei que vou ter alguns comentários de congratulação pelo regresso (sei-o porque os amigos são assim - óbvios) mas - perdoem-me pela agressividade - neste momento, isso pouco me interessa...
Voltei. Voltei mas... estarei mesmo aqui?

Publicado por João Ilhéu em 12:26 AM | Comentários (4) | TrackBack

julho 01, 2004

MAIS VALE BLOG QUE MAL ACOMPANHADO

Comecei a perceber que isto (também) é um instrumento para combater a solidão. Comecei a perceber e não gostei. Não gostei de perceber que isto também serve para isso. Não gostei de me sentir sozinho. Às vezes, pelo menos...

Publicado por João Ilhéu em 04:16 PM | Comentários (12) | TrackBack

FECHA OS OLHOS E DORME

Cede ao impulso. Faz o que te apetece. Pensa menos. Vive para ti. Talvez assim consigas dormir.

Publicado por João Ilhéu em 11:11 AM | Comentários (4) | TrackBack

junho 30, 2004

FELICIDADE

Se eu quisesse desenhar a felicidade como o faria?...

Publicado por João Ilhéu em 04:04 PM | Comentários (16) | TrackBack

junho 22, 2004

O CULTO DA SOMBRA

Nos últimos anos, quando chega “O” calor, dou por mim a pensar que não faz sentido que um país com o nosso clima, nomeadamente no que ao Alentejo diz trespeito, ter perdido aquilo que eu gostei de apelidar de “Culto da Sombra e da Água” – dois elementos essenciais na criação de qualquer ambiente urbano. Ou, pelo menos, deveria ser. Mas, quando os espaços verdes se “medem” através do número de árvores plantadas, quando a água enquanto elemento refrescante é ignorada, quando os espaços para “estar” são cada vez menos (nem vou falar em intervenções urbanas pouco criteriosas nestes aspectos), a malta morre de calor, gasta dinheiro em ares condicionados e na energia que os faz trabalhar e nem por isso tem gosto em (con)viver na rua.
Plantar árvores nos passeios não é sinónimo de criar espaços verdes. Relvar os espaços sobrantes entre construções, muito menos. A vivência urbana tem que ser uma experiência única, pensada em todas as suas vertentes – social, ambiental, arquitectónica, urbanística. Contas de matemática de somar e subtrair à volta de números dão resultados absolutamente abstractos quando não são reflexo de intervenções de qualidade. Saber que se plantaram mil e tal árvores não me dá vontade de ir para a rua passear, ir às compras, a uma esplanada ou simplesmente olhar para a minha cidade. Saber que plantaram uma mas que o fizeram fruto de uma abordagem global e integrada com resultado de qualidade, dá-me vontade disso e muito mais.
Números? Números não fazem sombra. Números não refrescam. Números? Só o do telemóvel do amigo para lhe dizer que não vou sair de casa porque está muito calor.

Publicado por João Ilhéu em 10:32 PM | Comentários (6) | TrackBack

junho 17, 2004

CIDADANIA

Fui cumprir o meu dever cívico. Esta afirmação pode parecer-vos extemporânea mas isso seria se eu me referisse ao dever de votar consagrado na constituição. Não, não me refiro a isso. Refiro-me ao outro, ao “verdadeiro” dever cívico que anda por aí no ar: fui apoiar a “selecção de todos nós”, lá, ao estádio. De facto, isto de imiscuir o futebol na cidadania não é mais do que a formalização da tendência generalizada que este país sofre para a futebolite. Esta infecção aflige-nos de tal modo que até a política já busca nos seus meandros inspiração para atrair as massas tal como o futebol o faz. Insultos, jogadas pouco claras, fintas e simulações… Há de tudo! (refiro-me à política, claro!) Ainda hei de ver o Ferro Rodrigues a fazer uma entrada a pés juntos às canelas do durão Barroso. Abstenção? Só na política porque no futebol… Dos 61% que se abstiveram de ir votar, quantos ficariam na praia em detrimento dum jogo da nossa selecção? Contra o futebol, nem dez Saramagos conseguiam o que quer que fosse.
Portanto, de uma vez por todas e já que se fala em alterar a Constituição, consagre-se o dever de apoiar a equipa de futebol das quinas incondicionalente e permita-se que se vote por desporto.
Só para que conste: fiz ambas!
Ah, é verdade! Portugal ganhou à sua congénere Russa.
…e viva o Euro que encheu Portugal de mulheres bonitas. (Desculpem-me as portuguesas mas a vocês vejo-vos eu o ano inteiro!)

Publicado por João Ilhéu em 02:08 AM | Comentários (7) | TrackBack

junho 14, 2004

EU FUI - pt II

Desta vez fui ao Super Bock Super Rock. No dia 11. Aquele que, supostamente, seria o melhor dum festival que comemorava a sua 10ª edição. Supostamente porque, embora não aprecie, a cerveja acabou a meio da noite (isto não era patrocinado pela Super Bock???!!!), as restantes bebidas bem mais cedo, o número de postos de venda de comes e bebes eram insuficientes, as casas de banho, idem, as filas eram enormes para tudo, a iluminação quase nula, etc, etc, etc... E musicalmente também não foi o que estava à espera.
Ou melhoram as condições, ou tragam o festival para o velhinho Coliseu de onde não devia ter saído.
EU FUI!... mas naquelas condições, NÃO VOLTO LÁ!

Publicado por João Ilhéu em 12:20 AM | Comentários (2) | TrackBack

junho 08, 2004

EU FUI!

Períodos de muito trabalho têm destas coisas: normalmente intercalo grandes desbundas (isto para utilizar uma linguagem in). Desta vez, como avisei, o dia 29 do Rock in Rio. Grande dia! Novidade, novidade, só o Gilberto Gil que não conhecia ao vivo. Muito bom! Ben Harper, o que se sabe: a admiração recíproca entre o virtuosismo do artista e Portugal resulta, invariavelmente, em grandes espectáculos. Peter Gabriel, para mim, um dos grandes (maiores) artistas vivos não foi surpresa, foi confirmação, foi oportunidade de o rever depois de o ter feito à um ano atrás (podia dissertar sobre o trabalho dele mas não me apetece. Vou-me ficar por aqui e já é pedantismo qb).
Gostei tanto de tudo que resolvi voltar lá no último dia. A chamar-me o incontornável Sting. Inesquecível o espectáculo, as 100 mil pessoas que entoaram em coro a mais fantástica interpretação do velhinho Roxanne que eu já ouvi.
Trinta e um anos depois do desembarque na Normandia das tropas aliadas, nasci. Sessenta anos depois, estava a ouvir Sting ao vivo. Que belo aniversário!

Lá pelo meio anunciaram que daqui a dois anos haverá mais. EU VOU!

Publicado por João Ilhéu em 02:04 AM | Comentários (6) | TrackBack

maio 28, 2004

PORQUE EU SÓ ESTOU BEM AONDE NÃO ESTOU

Porra! Alguém que me bata! E com força, por obséquio. Se tivesse pensado bem as coisas, devia estar esta hora a preparar-me para ver o Paul McCartney no Rock in Rio. Não que seja grande admirador, pelo contrário. Mas, ver ao vivo um dos Beatles naquela que poderá ser a sua última digressão seria, sem sombra de dúvida, oportunidade única. Mais uma memoria para guardar junto a tantas outras.
Raio de vida profissional que não deixa tempo para pensar no resto. Quando dei por isso, era tarde. Quando pensei nisso mais a sério já não dava tempo para lá chegar. Sim, porque eu era gajo para abalar daqui à última da hora mas assim...
Enfim, lá estarei amanhã a rever Ben Harper e Peter Gabriel 360 dias depois da última (e memorável) vez. Darei notícias.
Até lá vou-me roer e fustigar pela basbaquice que se apoderou de mim...
Se querem comentar isto, por favor façam-no chamando-me nomes. Vá que eu mereço...

Publicado por João Ilhéu em 06:53 PM | Comentários (5) | TrackBack

maio 25, 2004

ANDEBOL EM BEJA

Porque se continua a insistir em ignorar o desporto extra futebol, porque dum modo geral se faz o mesmo com outros acontecimentos de igual importância noutras áreas da sociedade, porque ainda não se compreendeu o valor da divulgação, porque ainda acham que ninguém se interessa por nada, tomei a liberdade de abrir (mais uma vez) este cantinho para dizer às pessoas em geral (mas em particular aos bejenses) que entre os dias 27 e 30 de Maio vai ter lugar na nossa cidade a FASE FINAL DO NACIONAL DE JUVENIS MASCULINOS EM ANDEBOL com participação de uma equipa da casa. Um rebuçado para quem, de entre a lista dos finalistas, adivinhar qual é... ABC, Académico do Funchal, Benavente, FC Porto, SL Benfica e Zona Azul. O nosso pavilhão multiusos vai honrar o nome e transformar-se num campo da modalidade.
Para consultar o calendário dos jogos clique aqui.

Publicado por João Ilhéu em 12:49 AM | Comentários (3) | TrackBack

maio 18, 2004

PAIXÃO DE CRISTO

Finalmente vou falar de cinema, actividade profusa nas Caves mas que, por misteriosos desígnios, tem passado ao lado deste espaço.
O segundo “finalmente” prende-se com o facto de já ter conseguido ver o filme que dá título ao post.
Se me perguntarem simplesmente “gostaste?”, eu responderei “sim. O filme está bem feito mas…”. Aprofundando a minha análise, chego à conclusão que é este “mas” que aqui me traz.
De facto o filme está bem feito. De facto, o filme transpira a paixão mas, infelizmente, transpira à paixão de Mel, não à de Cristo. O apego tantas vezes confessado pelo realizador pelo tema, motivou-o a fazer um filme muito pessoal na abordagem escolhida. E se, como conceito, começou por ser exemplar (único, mesmo) a sua tentativa de o ser saiu, segundo o meu humilde ponto de vista, algo gorada.
Ter compreendido que a história – porque é disso que se trata – é sobejamente conhecida, sustentou a corajosa opção inicial de fazer um filme integralmente sem legendas visto os diálogos serem perfeitamente secundários. Mas isto, para ser conseguido, teria que se ter recorrido a uma narrativa visual intensa e ilustrada com alegorias e simbolismos como, aliás, acontece no início do filme em que parece estarmos a apreciar uma grande tela românica. Acontece que isto requeria alguém mais realizador e menos actor que Mel Gibson.
Ao contrário do que muita gente diz, não o acho um filme violento. Acho-o descompensado. À violência (ou a frieza do relato) falta o contraponto igualmente intenso do conceito, da genialidade por detrás da câmara que não se sente.
De génio, foi a escolha dos actores, principalmente, dos dois que “carregam” a narrativa aos ombros, Maria e seu filho J Cristo. Os olhos de Maria gritam de dor acima do turbilhão da multidão, tal a sua expressividade. Jim Caviezel, aliás, Jesus Cristo (JC para onde quer que se vire) é tudo o que que dele se imagina. Dois dos actores que melhor personificam a dor. Dor essa que passa para o público através do vermelho do sangue e dos grandes planos repetidos à exaustão.
Resumindo, apesar de ter gostado, fiquei com a sensação (ou frustração) que este filme, este conceito (não me canso de repetir,genial) nas mãos de um realizador com paixão e génio em doses iguais, seria único na história do cinema.
Aguardo uma revisão do filme, daqui a uns meses, para tirar novas conclusões.
Para terminar, como é recomendável nestas coisas da religião, deve ser complementado com o visionamento de outros filmes, de preferência, igualmente pouco consensuais. Já viram a ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO? Aconselho.

Publicado por João Ilhéu em 01:33 AM | Comentários (6) | TrackBack

maio 16, 2004

SEJAM BEM VINDOS!

Limpem os pés antes de entrar, por favor. A casa é nova e eu não a quero sujar. Ainda não está completamente arrumada mas aos poucos vai lá. Peço-vos, portanto, um pouco de paciência. Trouxe comigo tudo o que escrevi na casa antiga. Os comentários também virão mas… com calma, aos poucos… até os indecorosos!
As paredes ainda estão muito brancas. Vou pendurar espalhadas por aí algumas coisas que tenho guardadas.
Tenho, no entanto, que avisar aqueles (poucos, muito poucos) que não me acham capaz de dizer (e escrever) coisas indecorosas, que esta é uma boa altura de fazer meia volta e sair por onde entraram. Fiquem-se por “ok, isto do blog é giro mas está visto. A casa está bonita. Foi um prazer em vê-lo. Até à próxima!”. Feito o aviso, limpo daí as minhas mãos. Isto é meu! Eu faço o que me apetecer se isso me fizer sentir melhor com a vida. Até escrever em português vernáculo.
Bem, vocês não sei mas eu estou cansado. Vou-me deitar que as visitas querem ir-se embora.
Um abraço a todos que me ajudaram a carregar os móveis.
Voltem sempre.
O último a sair, feche a porta.

Publicado por João Ilhéu em 06:58 PM | Comentários (4) | TrackBack

NATAÇÃO EM BEJA

PROVAS DE PREPARAÇÃO e FESTIVAL DO 3º AGRUPAMENTO

[Ter Mai 11 2004]


design por João Ilhéu

Um dos meus desportos preferidos que pratico há já muitos, muitos anos. No entanto, não vou nadar. Vão outros, o presente e futuro da modalidade nesta cidade. E com eles, outros vindos de outros sítios.

Publicado por João Ilhéu em 06:55 PM | Comentários (2) | TrackBack

E ASSIM ACONTECE...

[Seg Mai 10 2004]

Estou para aqui sentado a decidir o que fazer este fim de noite. A televisão faz desfilar novelas em barda. Nem sei quais. Há já uns anos que decidi não perder tempo com elas e, deixem-me que vos diga, tenho cumprido esta minha promessa religiosamente vai para cerca de seis, sete anos. A única coisa que neste momento me desperta o interesse é a entrevista do Xanana Gusmão na 2. Mas hoje é daqueles dias em que me apetece alargar a minha cultura cinematográfica. Xanana, desculpa o desrespeito. Olho para a estante onde tenho os meus filmes. Já é tarde e amanhã tenho que trabalhar. Não me posso deitar muito tarde… outra vez. Entre os que TENHO que ver num futuro próximo, encontra-se o "Querido Diário" do Nanni Moretti, "Vertigem Azul" do Luc Besson e a história de Miles Davis, mítico trompetista de Jazz. Mas demoram tanto tempo. Na melhor das hipóteses, deitava-me lá para as duas da manhã. Não! Se calhar vou optar por um ou dois episódios do "Allô Allô". Um registo completamente diferente mas igualmente bom. Certeza, certeza, só que vou acabar a noite embrenhado no "Chocolate", versão de papel.
Boa noite e até amanhã.
Bons sonhos.

Publicado por João Ilhéu em 06:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 05, 2004

«CHOTAQUE?! QUAL CHOTAQUE?!» by TOZÉ, natural das beiras (Marco Horácio)

[ Dom Mai 02 2004 ]

Pronto sou forçado a concordar: não será propriamente um texto de Shakespear, nem os actores mestres na arte de representar mas não foi mau. PORTUGAL, UMA COMÉDIA MUSICAL, é uma peça bem disposta, cheia de debutantes que lhe conferem a tradicional irreverência. Mas, neste caso, debutantes e irreverência não são sinónimo de falta de qualidade. Portugal é caricaturado ao som das músicas do Sérgio Godinho. Pareceu-me tudo muito bem... O Bruno, o Marco, a Mariza, os outros que não me lembro...
Estão à espera que fale da Mariza, não é? NÃO FALO! Depois lá iam as mulheres dizer aquelas coisas que dizem sempre que o tema é a MC, vocês sabem ao que me refiro, aquelas coisas ditas quando lhes dói a articulação úmero-radio-cubital, vulgo, cotovelo. Por mim só tenho uma coisa a dizer: Belo par!... de horas gastas a ver a peça. Valeu a pena.
Um abraço à seita que se reuniu ao toque de chamada.

Publicado por João Ilhéu em 11:02 PM | Comentários (1) | TrackBack

HORA COCA-COLA FIGHT

[ Sex Abr 30 2004 ]

Corre por aí o boato que, a partir de Maio, existem graves riscos ao consumir Coca-Cola. Aparentemente, a famosa bebida será alvo de um qualquer acto terrorista. Ora pois bem, para além da pouca confiança que tenho nas fontes, acho tudo isto de uma veracidade questionável. De facto, pôr a notícia a correr já pode, eventualmente, causar qualquer coisa como um acto terrorista económico mas, como disse num comentário na Praça da República, até não era necessariamente mau que aparecessem por aí mais destes terroristas preocupados com questões de saúde pública. Imaginem só ameaças de contaminação dos assentos dos automóveis com fungos passíveis de provocar micoses violentíssimas, ou insinuar que as transmissões televisivas da TVI emitiriam radioactividade, ou que os telemóveis provocam impotência… Lá teríamos nós que andar a pé, ver menos televisão ou deixar de falar tanto ao telemóvel! Sem dúvida que isto seria o fim do nosso modo de vida tal como o conhecemos.
Ah, bandidos!

Publicado por João Ilhéu em 11:00 PM | Comentários (8) | TrackBack

PORTUGAL... UMA COMÉDIA MUSICAL

[ Qua Abr 28 2004 ]

Ando com vontade de ir ver isto. Algum de vocês me quer fazer companhia?

Publicado por João Ilhéu em 10:58 PM | Comentários (1) | TrackBack

25-04-1974

[ Seg Abr 26 2004 ]

Voltei. Parei para descansar e aproveitei para pensar um pouco. Envelheci uns dias, porém, talvez não tenha crescido.
Voltei 30 anos e um dia depois da Revolução dos Cravos. Eu não a vivi. Nasci depois. Dizem-me que era tudo muito diferente. Mais difícil... Ainda bem que assim é.
É enorme o distanciamento que se tem quando não se viveu ou não se tem quaisquer memórias desse período. É qualquer coisa tipo uma ignorância (quase) abençoada. Nasci no ano seguinte, numa altura que, por certo, ainda se sentia no ar o cheiro fresco dos cravos. Mas não posso garantir ao certo. Nunca senti outro cheiro no ar que não fosse esse. Dizem que só se sabe o que é a luz depois de conhecer o escuro e eu gostava de ter memórias de tudo o que a revolução quis apagar. Isso dar-me-ia a certeza de que (parece-me) muitos ainda não compreenderam o que significa a liberdade. Ao contrário do que vemos todos os dias, "liberdade" não é sinónimo de "fazer o que se quer". Impunemente, acrescento eu. Falta-nos compreender que os nossos direitos acabam onde começam os direitos de quem está ao nosso lado. Falta-nos desprendermo-nos desta fome de poder outrora característica dos senhores postos a mexer ao som do Grândola Vila Morena e que nos põe a viver uns contra os outros em vez de nos pôr a andar lado a lado.
Mas isto tudo digo eu que sou imbecilmente ingénuo e simplista...
E tanto mais há para dizer!

Publicado por João Ilhéu em 10:57 PM | Comentários (13) | TrackBack

A CARTA (Toranja)

[ Qui Mar 25 2004 ]

«Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...

(...)

Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidos
que voltei a encontrar em ti...»

Há músicas assim... que dizem alguma coisa. Muita coisa. Quase tudo.

Publicado por João Ilhéu em 10:56 PM | Comentários (16) | TrackBack

BELAS PERNAS!

[ Qua Mar 17 2004 ]

Querem espreitar a mini saia da minha amiga Lila? Para ver mas não mexer!

«The next big thing after Sex in The City!» - B. Stone, New York Times

«Women at their best!» - T. Curry, Herald Tribune

«Sarah Jessica Parker: Beware!» - J. Howard, Daily Telegraph

«Bye bye Lois. I Love you LiLa» - C. Kent, Daily Planet

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MADRID É JÁ ALI!

[ Qui Mar 11 2003 ]

Hoje acordei com a notícia do atentado em Madrid. Um acto maquiavélico cujos requintes de malvadez são indescritíveis e que esteve prestes a tomar proporções ainda maiores. Apesar de tudo e egoisticamente esperei que se tratasse de conflitos internos. Mas não. Estamos em guerra. Mas quisémo-la. Pelo menos, disseram-me isso. Não sei. A mim ninguém me perguntou nada.
Espero por Deus, que Alá nos ache suficientemente insignificantes.
Hoje acordei. E amanhã?...

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PARA LER PRIMEIRO E PENSAR DEPOIS...

[ Qua Mar 10 2004 ]

Ainda a propósito do Dia Internacional da Mulher, numa escola desta cidade que me viu nascer, na disciplina de Formação Cívica, os alunos de 7º ano foram confrontados com um poema sobre a mulher sobre o qual deveriam fazer um comentário. O produto desta tarefa que lhes foi incumbida ultrapassou todas as expectativas. Houve de tudo...

"Qual é o feminino de "sentado no sofá a ler o jornal"?
"De pé na cozinha a lavar a loiça"".

"As mulheres só sabem gastar dinheiro e ver telenovelas. As mulheres servem é para limpar a casa, fazer compras, passar a ferro e fazer a comida e quando o marido sai, pede o cartão de crédito e parecem lobos esfomeados a mexer na conta." Será assim lá em casa?

Pelo próximo tenho um carinho especial. Atentem ao profissionalismo da coisa...
"As mulheres não deviam ter um dia para elas, pois as mulheres já têm folga quando estão em casa a ver televisão enquanto o marido está a trabalhar para ganhar dinheiro para sustentar a casa, a mulher tem de estar a fazer as tarefas domésticas e a cuidar do menino. Sabe porque é que há violação doméstica?" - pergunta ele a certa altura, como que interpelando directamente a Professora - "Porque não fazem as tarefas domésticas e quando o marido a apanha em casa a ver televisão e o comer não está feito e a casa suja, por varrer!" E agora a piéce de resistance : a sondagem entre os colegas...
"Em doze destes rapazes, 11 acham que a violação (penso que ele quereria dizer violência, mas em todo o caso...) é bem aceite, quando os homens chegam a casa e a casa está suja, por varrer, as mulheres devem levá-las."

No meio de tanta gente, há sempre um mais escarecido: "As mulheres vieram ao mundo para trabalhar e ontem descansaram".

Entre tanto rapaz, interessante o ponto de vista das mulheres da turma. Aqui vai uma...
"Ainda bem que algum homem homenageia ("ominigia" no original) as mulheres porque os homens só sabem dizer que são os melhores e que as mulheres não prestam.
Os homens não são imperfeitos mas não são os melhores."
Minha querida, a menina lá sabe...
"A mulher tem direito a falar e a expressar os seus pensamentos.
Porque é que os homens têm que estar sempre na frente de tudo?
A mulher tem direito ao dia dela, a poemas de consolação
(?!!!) e a muito mais.
As mulheres não vieram ao mundo só para trabalhar, porque senão não havia vida."
Ora aqui está: vieram para trabalhar e procriar, é isso?
"As mulheres não são perfeitas, ninguém é perfeito.
Nós não somos escravas dos homens.
Há mulheres que trabalham para sustentar centenas de vícios do homem. E essas o que são?
Não há discriminação, todos iguais, todos diferentes.
Porque é que há homens que preferem mudar para mulheres?"
Pois, minha amiga, isso também eu gostava de saber...

Nota da redacção: às vezes a realidade ultrapassa a imaginação. Tudo o que aqui está é uma transcrição fiel. Estes olhinhos que a terra há de comer leram tudo.

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NINGUÉM LEVA A MAL...

[ Sex Fev 20 2003 ]

Conheço um gajo que as únicas vezes que se mascarou em adulto foi de mulher. Nem me vou pôr para aqui a dissertar sobre a teoria da exteriorização do lado feminino em cada homem pois iria dar confusão e tão pouco faço ideia de como sustentar o facto. O que me interessa realmente é que ele o fez e fê-lo a preceito, de vestido preto tão justo quanto curto (o vestido já ficava justo e curto à sua namorada de então, menos corpulenta que ele. Imaginem...), dois pares de meias de vidro da mesma cor (sim porque só com um os pêlos das pernas viam-se todos), sapatinho a condizer e cabeleira loira encaracolada numa personificação de qualquer coisa como a Marisa Cruz da recta de Pegões. Pormenor importante: duas das suas amigas incumbiram-se de lhe fazer a maquilhagem. Uma vez pronto o "boneco", terá dito alguém que viu: "já comi pior e não me fez mal nenhum!".
A namorada mantinha-se prudentemente à distância num misto de vergonha com deboche. Mal sabia ela que o vestido, no corpinho daquele gajo com mais 30 kg que ela, jamais voltaria a ser o mesmo.
Parece que a pior parte foi a pouca liberdade dos testículos do rapaz entre tanto tecido justo. Foi complicado de acondicionar e de aguentar pela noite fora.
Consta que o rapaz foi apalpado nessa noite como nunca o fôra em toda a sua vida. Mas também, estava a pedi-las, não é?!...
O pior foram as dores nas costas. Os saltos altos dão cabo das costas a um gajo. Quer dizer... não sei... disseram-me.

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COMEÇAR O DIA DOS NAMORADOS NO FIM DA GRELHA DE PARTIDA (SERÁ PRENÚNCIO?)

[ Sáb Fev 14 2003 ]

Dia de S. Valentim. Levantei-me às 8h 30m para rumar a Palmela para tomar parte de um Grande Prémio de Kart. Ok... Grande Prémio não será bem o termo mas que foi uma corrida simpática, lá isso foi!
Máquinas de nove cavalos, nove! (Eh, tanto cavalo!...) À volta de dezasseis concorrentes, 30 minutos de prova, uma pista desconhecida para mim e um honroso(?) 12º lugar na grelha de partida e repetido à chegada...
E eu que pensei que levar o capacete igual ao do Ayrton Senna, chegava!

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AZAR PARA UNS...

[ Sex Fev 13 2003 ]

Sexta-feira 13, dia de todos os azares. Dia em que me lembro sempre e invariavelmente da mesma pessoa - do meu avô. O Mestre Ilhéu. Pessoa responsável em grande parte pelo meu desejo e gosto de aprender e, segundo o que me contam, supersticioso. Nada pior para uma pessoa que nasceu num dia 13 e cuja filha, minha mãe, nasceu numa sexta-feira, número e dia da semana pelos quais tinha verdadeira aversão.
Lembro-me de ele me ensinar a talhar as letras do alfabeto em cascas de laranja, de ele me ler vezes sem fim as histórias da cartilha por onde me queria ensinar a ler (tenho que a ir procurar), lembro-me de jogar às damas com ele (eu tinha jeito para perder). Lembro-o como uma das pessoas mais inteligentes que conheci apesar de a escola ter ficado para trás uma vez terminada a 4ªa classe. Lembro-o com verdadeiro orgulho, daquele que me deixa os olhos turvados enquanto escrevo. Homem de fortes convicções (demasiado fortes, dirão alguns), ouvi-lo era sempre uma lição...
Que bom que seria se ele estivesse por cá. Por certo que hoje teria alguma coisa para me dizer. Eu ouvi-lo-ia como fazia quando tinha quatro anos.
Já não o vejo há uns tempos. Vai para 20 anos e, no entanto, parece que foi ontem. Tenho a ceretza que está bem.
Não sei se apesar das suas superstições alguma vez ele terá tido azar. Eu, por mim, tive uma sorte imensa em o ter conhecido.
Um beijo...

PS - À Ana, mulher tão linda quanto corajosa que está com ele, à Maria e ao Zé que ainda estão comigo, outro enorme beijo.

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HORÓSCOPO

[ Ter Fev 10 2003 ]

«Signo de Gémeos - Poderá sentir especial prazer e divertimento nas relações com crianças(?!!!), pelo que deve aproveitar esses momentos para se descontrair e relaxar dos afazeres quotidianos. Período particularmente intenso a nível amoroso ao longo do qual a paixão vai imperar.» in Correio da Manhã, 10-02-2004
CRIANÇAS??!!! Como nativo de gémeos, sinto-me profundamente ofendido e lesado na minha reputação. É por estas e por outras que não leio o jornal em causa. (Excepção feita aos anúncios de cariz sexual e sobre o qual dissertarei em futuro próximo...)
Posso sugerir a substituição do termo "crianças" por "gajas boas"?

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DE AMANHÃ EM DIANTE...

[ Seg Fev 09 2003 ]

Amanhã, quando acordar, está aí mais uma semana. Mais cinco dias úteis e dois inúteis. Se tudo correr normalmente vai ser uma semana de novos stresses, boatos, (des)ilusões, (des)amores, incompetências, ignorâncias, mesquinhices, chatices e outras merdas.
No entanto, espero acabar a semana em grande. E não me refiro ao Dia dos Namorados que este ano me vai passar ao lado fruto do meu actual estado civil. Esperem que lá para sábado logo vos conto...
Também haverá outras coisas boas que, se me permitem, guardo para mim não vá p’raí aparecer alguém a querê-las estragar (mesquinhices, lá está).
Às vezes tenho pena que algumas pessoas não leiam isto. Era uma boa oportunidade de as mandar à merda!

Publicado por João Ilhéu em 10:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

maio 03, 2004

...

[ Qua Jan 28 2003 ]

Hoje vai ser dia para custar a dormir.

Publicado por João Ilhéu em 11:14 PM | Comentários (0) | TrackBack

TRECHOS...

[ Qua Jan 28 2003 ]

Tenho a descarregar uma versão dos No Doubt de uma grande música dos Talk Talk, "It’s my life". Entretanto vai tocando Jack Johnson (Flake).
Segue a Maria Rita. O melhor disco que eu comprei em 2003. "Agora só falta você...".
Finalmente: "it’s funny how I find myself in love with you (...) It’s my life!". Sempre gostei disto. O disco toca incessantemente no carro. E agora em casa, no pc... "it’s my life / don’t you forget..."
Vem aí Sheryl Crow. Outra versão, desta vez do Cat Stevens: "The first cut is the deepest". Nem sempre... Mas continua a ser uma grande música!
Mais uma versão. Avril Lavigne a bater às portas do céu. Bob Dylan cantado por Guns e por sua vez por esta canadianazinha de 18 anos ou coisa que o valha. Mas nem isso tira a magia à música. "Knocking on heaven’s door".
Agora para aligeirar: The 80’s. David Fonseca. Gosto sempre de voltar um pouco atrás. "I should have met you in the eighties!"
Já sei o que vai tocar a seguir. Foo Fighters com esse grande tema acústico "Times like these". Em tempos como estes, fico em casa a ouvir música... It’s times like these / you learn to love again...
Enquanto isto toca vou escrevendo e falando com alguns amigos na net. É engraçado como isto nos aproxima e, ao mesmo tempo, nos deixa sozinhos.
"It’s a new dawn / it’s a new day / it’s a new life for me / and I’m feeling good" Muse a sentirem-se bem (Feeling good). Eu, por mim, podia sentir-me melhor. Uma música com reminiscências do Jazz. Muito boa... vou deixá-la tocar...
Enquanto procuro na minha base de dados, toca a arrebitar: Outkast "Hey Ya!".
"Bother" Audioslave. Isto deixa-me de rastos. Segue para a próxima...
Aimee Mann. Conhecem? A descobrir. A tal da banda sonora da campanha de prevenção rodoviária e do Magnólia (wise up). Por aqui toca o "deathly".
Estou a ficar ainda mais deprimido. Vou sair. Vou dar uma volta de carro. Estou farto de estar a olhar para as paredes. Até já!
...
...
Voltei. Meia noite e meia. No carro ouvi muita coisa da minha selecção musical. O final, a última música antes de chegar a casa, é quase sempre a mesma (pelo menos nos últimos tempos): "Here comes the flood" do Peter Gabriel. Para me aproximar dos lençois afastando-me a cabeça da viagem em que anda e da qual não há meio de regressar.
"I could drink a case of you / and still be on my feet" quem o diz é uma das minhas intérpretes de Jazz preferidas. Diana Krall de seu nome, "case of you" a música. Hoje não a ouvi. Fica para a próxima.

A música não tem que ser sempre erudita, ou de qualidade inquestionável. A música diz-nos mais ou menos consoante o estado de alma. E é isso que importa.
Há noites assim, em que chove...
Boa noite.

Publicado por João Ilhéu em 11:14 PM | Comentários (4) | TrackBack

LUTO

[ Seg Jan 26 2003 ]

Vivemos na órbita do futebol. Idolatramos as suas vidas de sonho. Esquecemo-nos, por vezes, que são homens. Pomos nos seus ombros as razões das nossas tristezas e felicidades. Talvez por isso a realidade nos lembre a espaços que nada é garantido.
Vimos hoje o Feher morrer perante os nossos olhos. Nestas alturas não faz sentido falar em cores, golos, penaltis e árbitros. Tudo se relativiza quando se perde uma vida assim.
Despediu-se com um cartão amarelo. Para quem o levou, o vermelho directo...
Até sempre...

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PONHAM-SE A PAU!...

[ Qua Jan 21 2003 ]

Andam por aí matulões de 2 metros a cobrar dívidas antigas. E eu? Devo alguma coisa?

Publicado por João Ilhéu em 11:12 PM | Comentários (5) | TrackBack

A MULHER DE VERMELHO - PARTE III ou COMO ENGANAR UM PACÓVIO

[ Ter Jan 20 2003 ]

A sick joke. A very, very sick joke... Based on true facts.

Se houver por aí alguém que queira fazer de outra pessoa um papalvo, pacóvio ou paspalho, faça o favor de ler e tirar apontamentos.

Acho que posso relatar o que se passou, integrando os acontecimentos numa espécie de experiência comportamental bem sucedida para uns, mal sucedida para outros, melhor, para outro. Ok, para mim.

Material Necessário:
- 1 grupo de sete pessoas que vamos designar pelas letras do alfabeto de A a G e que deverá integar o alvo da experiência, vulgo, papalvo e o actor principal. É imprescindível que este último tenha namorada.
- 1 mulher atraente vestida de vermelho. É indispensável que seja desconhecida do grupo.
- Mínimo de 2 telemóveis sendo que um deles tem que ser propriedade da vítima.

Procedimento científico:
Em primeiro lugar há que frisar que, no mínimo, deverá haver três dias disponíveis para o correcto desenrolar da cabala.
Primeiro dia. O grupo de sete pessoas chega a um bar onde se possa dançar. Discretamente, o grupo separa-se em dois sub-grupos. Num deles, ficará o actor principal e duas testemunhas (sujeitos A,B e C). No outro, a vítima, vulgo, palhaço, e o resto do cuorum (D, E, F e G). Os dados estão lançados.
Os três apressam-se para um sítio mais recôndito, donde não se consigam ver os companheiros. Aí identificam a potencial mulher de vermelho e elegem-na como cúmplice involuntária. Poucos minutos depois o sujeito E (E de "Eu", a vítima) recebe uma mensagem de A (o actor principal que, lembre-se, tem namorada) a dizer que está a dançar com a então ainda desconhecida woman in red . Obviamente, eu, desculpem, o sujeito E desloca-se apressadamente para junto de A, B e C para constatar os moldes em que a cena decorre. Uma vez lá chegado, B e C apressam-se a contar o sucedido entretanto. O sujeito A, agora a dançar sozinho, terá dado uns passos de dança com a gaja de vermelho. Bem gira, por sinal... O sujeito A, com um prazer mórbido em semear confusão, delira com a situação, comenta e instiga ao motim. Facto normal tendo em conta que o sujeito E, a vítima, vulgo, pacóvio, não ter namorada (dor de cotovelo, dirão uns, parvoíce natural, dirão outros. Concordo com a segunda). O sujeito E poderá dispersar, voltando amiúde para constatar eventuais evoluções que as testemunhas relatam. No regresso a casa, a estocada final. Mensagem de A para E, reiterando o deslumbramento pela dança.
Segundo dia. Café. Hoje, novamente em conjunto, faz-se o rescaldo da noite anterior. Mandam-se umas bocas só para manter o ferro quente antes de se lhe malhar. O grupo dispersa. À noite, o sujeito E lança enigmáticas mensagens para o seu blog referindo-se à woman in red, nome de código atribuído à rapariga.
Terceiro e derradeiro dia. Precipitam-se os acontecimentos. O sujeito A liga a E. Ao fundo ouve-se a namorada de A a exigir falar comigo, digo, com o sujeito E. Indignada e preocupada com a situação, a namorada questiona e pede explicações à vítima, vulgo, parvinho, sobre a famigerada noite, sobre a mulher de vermelho, sobre os acontecimentos. Parece que uma das testemunhas (o B) abriu a boca. A vítima, vulgo, nhónhó, vendo-se confrontado com uma situação que põe em causa a vida conjugal de A, seu amigo do peito, e que ele próprio reconhece parte da responsabilidade por tê-la instigado, apressa-se a contradizer a namorada de A. Como? Convencendo-a que existe ali um mal entendido e que quem dançou com a rapariga foi ele próprio, o único rapaz descomprometido do grupo e que o segredo se prendia com questões da vida pessoal do mesmo. Uma vez ultrapassada esta questão e desligado o telefone, E liga para B (o Bufo) para lhe pedir explicações acerca das bocas que mandou à namorada de A, nosso amigo. E é aqui, neste preciso momento, que tudo se precipita quando B diz que não fala com ela vai para quinze dias. Imediatamente, fez-se luz e E sente umas orelhas de burro a nascerem no sítio das outras que Deus lhe deu.
O que se passou? Pois é. Não se passou nada. A, B e C escolheram uma gaja à volta da qual construiram uma teia de acontecimentos que, pura e simplesmente, não tiveram lugar. Apenas me fizeram crer que sim. Uma vez lançados os dados, entrou em jogo a namorada de A que, obviamente, em conluio com o seu mais que tudo, me confrontou com o suposto deslize. O interrogatório, digno da Gestapo, não deixou outra saída senão a decisão tão altruísta quanto inconsciente, de tomar o lugar do suposto pecador. Calculem agora o que alguem que sabe que a história é mentira, pensa sobre quem prontamente assumiu uma tamanha mentira. Enfim, tivesse eu um buraquinho para me enfiar...
Enquanto não descobri a tramóia, garanto-vos, foram minutos de terrível angústia.
A hora que se lhe seguiu foi uma hora de acertar contas.
Ainda não recuperei...

P.S. - sei que jurei a sodomia como castigo para quem divulgasse algo sobre aquela noite. Mas não acham que já fui suficientemente encavado? Isto ainda vai valer umas boas gargalhadas à minha custa lá para o fim de semana.

Publicado por João Ilhéu em 11:11 PM | Comentários (17) | TrackBack

A MULHER DE VERMELHO - PARTE II

[ Seg Jan 19 2003 ]

still an extremely private joke! May those who speak be sodomized.
Esta vai de memória. Que não me atraiçoe.

(...)
Lady in red
Is dancing with me
Cheek to cheek
There's nobody here
There's just you and me
It's where I want to be
And I hardly know
This beauty by my side
And I never will forget
The way you look tonight
(...)

Chris de Burgh(?)

Publicado por João Ilhéu em 11:09 PM | Comentários (3) | TrackBack

A MULHER DE VERMELHO - PARTE I

[ Seg Jan 19 2003 ]

a very, very private joke. nevertheless...

(...)
The woman in red
The woman in red
Like fine wine she's going straight to my head
The woman in red
The woman in red
I'll settle for nothing less than her instead
(...)

Music & Lyrics by Stevie Wonder(bons olhos o vejam)

Publicado por João Ilhéu em 11:08 PM | Comentários (0) | TrackBack

OS MENINOS À VOLTA DA FOGUEIRA...

[ Sex Jan 16 2003 ]

É tarde. Escrevo sentado ao computador com uma chávena fumegante ao meu lado. Escrevo e não o faço feliz. Eu não queria saber! Não queria e não precisava! E no entanto disseram-me à mesma! A quem terei que me queixar? A quem poderei dizer "Não! Eu não queria saber que o Carlos Cruz tem manchas na pila!". Forçaram-me assim a ser redundante. A escrever duas vezes no mesmo dia sobre a mesma coisa. E eu não queria...
Sou um produto da revolução de Abril. Como tal, jamais poderei dizer que senti na pele a repressão de que oiço falar. Pode parecer estranho mas tenho alguma pena de não ter memórias dessa época. E digo-o por uma simples razão: a de dar valor à liberdade que hoje disfruto. Mas, apesar de tudo, é para mim claro que nós enquanto povo enfrentamos graves dificuldades em compreender que liberdade não é fazer o que se quer, quando e como apetece. Ter direitos não é sinónimo de anarquia. Ter direitos significa que para os exercer, não o podemos fazer para além do ponto onde estes se sobrepõem aos de qualquer outro indivíduo. Não compreendo por isso, entre tantas outras coisas, a razão pela qual Portugal tivesse que saber que o apresentador tem manchas no seu pénis. Não compreendo e não aceito. Não aceito que me esfreguem nos olhos o argumento do interesse jornalístico e informativo. O direito de informar (será que o é?) não se está a sobrepor ao direito de justiça e privacidade? E poderemos continuar a permitir que tal aconteça?
Não me espanto por isso que se volte a falar de censura. Neste estado de coisas não há futuro.
Há quem diga que são necessárias três gerações para limpar os efeitos de uma mudança de regime. É esse o tempo que eu vou ter que esperar para que aprendamos o que é a liberdade e o bom senso? Irra, que é muito tempo!!!...
Calem-se, porra!

(Se não me falha a memória:

Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão saber como se faz uma bandeira
Vão saber o que custou a liberdade
)

Publicado por João Ilhéu em 11:07 PM | Comentários (0) | TrackBack

«UMA EM QUATRO UNIVERSITÁRIAS TEVE EXPERIÊNCIAS SEXUAIS FORÇADAS»

[ Qui Jan 15 2003 ]

...e, ao contrário do que se diz por aí, não fui eu que eu tratei das outras 75%! Agradeço a consideração mas não posso aceitar tal elogio. Isto de espalhar as notícias assim nos meios de comunicação social tem os seus inconvenientes. Tenho que rever a minha posição em relação à censura jornalística...

Publicado por João Ilhéu em 11:07 PM | Comentários (0) | TrackBack

BICHO DE 7 CABEÇAS

[ Seg Jan 12 2003 ]

Não dá pé, não tem pé nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez
Ter feito o que você me fez
Desapareça, cresça e desapareça
Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé não é direito
Não foi nada, eu não fiz nada disso
E você fez um bicho de 7 cabeças
Bicho de 7 cabeças

Letra de Zé Ramalho

Querem ver que o gajo anda a ler o nosso Blog?

Publicado por João Ilhéu em 11:05 PM | Comentários (0) | TrackBack

SE EU FOSSE UMA MOSCA...

[ Seg Jan 12 2003 ]

...tal como toda a gente, andaria por aí a ouvir conversas, entrar em casas, quartos de miúdas e balneários femininos.
Se eu fosse uma mosca andaria na merda. Como não sou, imito bem.

Publicado por João Ilhéu em 11:04 PM | Comentários (6) | TrackBack

MÚSICA NO CORAÇÃO

[ Seg Jan 12 2003 ]

A música tem destas coisas. Eleva-nos o espírito, faz-nos pensar. E há músicas e músicos que por um desconhecido desígnio (ou talvez não) nos parecem falar ao coração. Mais, parecem ter sido feitas à medida. E do modo como às vezes se atravessam ao caminho, parecem querer contrariar o acaso. Há músicas que entram nas nossas vidas em determinada altura porque não podia ser noutra. E há pessoas que por dom, sensibilidade, inteligência e amizade as jogam para a nossa frente na altura certa, depois daquela curva mais apertada.
Francisco, o Brasil é grande mas tu és maior. Um abraço.

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40% DOS PORTUGUESES JÁ RECORRERAM A PROSTITUTAS

[ Sáb Jan 10 2003 ]

...e ninguém me convidou?!!

Publicado por João Ilhéu em 11:03 PM | Comentários (11) | TrackBack

AGRADECIMENTOS

[ Ter Dez 30 2003 ]

Se me é permitido confessar um segredo, retiro grande prazer e satisfação do facto de alguém reconhecer algo, por pouco que seja, no meu trabalho. Principalmente, quando não há uma cara a quem o associar, quando permaneço anónimo para quem me julga. Foi por isso uma alegria ter sido agraciado com uma menção honrosa atribuída pelo Nikonman na sua Praça da República ao meu blog. A este espaço onde se avisa explicitamente logo à entrada "Aqui diz-se tudo. Não se aprende nada!". Apesar disto, alguém viu aqui alguma coisa. Só poderia vir de um fotógrafo. De alguém que vê as coisas como os outros não o fazem.
Para além da blogosfera, também partilhamos a cidade onde vivemos. Pode ser que nos encontremos por aí...
Espero continuar à altura da responsabilidade.

Publicado por João Ilhéu em 11:01 PM | Comentários (12) | TrackBack

APROVEITEM QUE EU NÃO VIVO SEMPRE!

[ Sáb Dez 27 2003 ]

E pronto! Já sei quando vou morrer. Será aos 82 anos, lá para o ano de 2057... Apesar de tudo, contava viver até aos 120. Enfim... ainda tenho algum tempo.
O que me deixou verdadeiramente preocupado é de ter uma probabilidade de 5%(!) de morrer durante um auto-fellatio! Acho mal! Altamente improvável e mal!

Publicado por João Ilhéu em 10:58 PM | Comentários (12) | TrackBack

CONVERSA DA TANGA

[ Sex Dez 26 2003 ]

Uma pequena nota introdutória: quebro aqui a resolução de jamais responder neste espaço a qualquer comentário que me seja feito a propósito deste ou qualquer outro blog em que participe. Mas afirmar tal coisa em espaço público requer resposta. Serei eu digno de tamanho elogio? Custa-me a crer, aliás, tenho a certeza que não. Como tal e para o provar, passo a expor tudo o que sei sobre o assunto. Verão que é irrisório. Em todo o caso, muito obrigado.

«Es perito em tanga!!!»
Afixado por Stitch em dezembro 24, 2003 no Bicho de 7 Cabeças no post CONVERSA COM UM CABRÃO INSENSÍVEL

I - Introdução
Abro as hostilidades retirando do centro das atenções tudo o que não interessa. Em primeiro lugar, coloco imediatamente de parte toda a roupa interior masculina. A minha religião não me permite abordar o assunto. Em segundo, distingo tanga de qualquer peça de lingerie que cubra mais de 3% de área corporal da mulher. Aí entramos na classificação de cueca que, em casos extremos - a de gola alta - pode ganhar contornos assustadores, inclusivamente, causar disfunções erécteis graves. Tamanhos XL permitem ainda a construção de paraquedas, velas de pequenas embarcações de recreio ou ainda camas de rede. Mas isso ficará para uma qualquer rúbrica de bricolage a desenvolver futuramente. Enfim, outras guerras...
Recentrando-me na tanga, por mais diminuta que seja, desempenha um papel simbólico enorme. Enquanto se encontra vestida representa o papel da última provação do conquistador, da última protecção da intimidade, do último bastião da resistência, do Santo Graal. Uma vez retirada... inicie-se o chavascal!
Como facilmente se poderá depreender do acima exposto, a complexidade desta derradeira etapa justifica uma abordagem minunciosa à arte da tanga.

II - A arte de despir
Uma relação quer-se acalorada e participativa. Assim sendo, o papel do homem é fundamental. Deverá ser activo por forma a garantir igual empenho da parceira. Consoante o clima gerado, o homem poderá proceder à remoção da tanga por três processos distintos: à mão, com a boca, ou por processo misto de mãos e pés.
O primeiro é o mais adoptado por ser, obviamente, o mais natural. O homem retira a tanga com a ajuda de uma ou de ambas as mãos, percorrendo com ela(s) toda a extensão das pernas da mulher. É um método seguro e pacífico. Como todos os outros, pode ser feito de um modo meigo e terno ou, se preferido, à bruta.
Quando feito com o auxílio dos dentes, exige alguns cuidados prévios. Em primeiro lugar deverá dominar o ambiente. Não vai querer provocar um ataque de riso na sua, até aí, envergonhada amante. Em segundo lugar, no caso de se tratar do chamado fio dental, há que ter precauções não vá o mesmo ficar entrelaçado nos dentes. Uma ida ao dentista com o fio dental da parceira pendurado entre os incisivos pode tornar-se desagradável. Faço aqui um pequeno aparte para referir a perigosidade deste processo com cueca XL. Existem casos de morte por asfixia!
Por último, o método misto envolve o trabalho de mãos descrito em primeiro lugar, enquanto a boca desempenha o seu papel na parte superior do torso. Sem nunca a desviar dos seus propósitos, uma vez atingido o alcance máximo dos membros superiores, passam à acção os membros inferiores empurrando até aos pés a peça de roupa em questão. A simultaneadade de movimentos exige concentração e coordenação motora mas permite manter o ritmo da acção. É um processo que pode revelar-se mais rápido quando não são exigidos artifícios de actuação.

III - A projecção
Uma vez retirada, a tanga poderá ou não ser afastada do palco da acção.
Se a opção passar simplesmente por ignorar a sua localização depois de retirada, a sua presença no local pode tornar-se incómoda.
No meu humilde entendimento, a opção correcta deverá ser o seu afastamento imediato. Proceder-se à projecção da tanga. Mais uma vez, estamos em presença de duas modalidades distintas: o arremesso puro, simples e despreocupado ou o arremesso artístico. Se o primeiro não necessita de apresentações, o segundo requer um domínio técnico que o coloca ao alcance só de privilegiados. Existem inúmeras variantes. Aquela que recolhe a minha preferência é aquela que é empreendida aproveitano a energia potencial elástica da tanga. Assim, com um dos braços esticado para a frente e com o polegar virado para cima, entrelaça-se o elástico no dedo enquanto que a mão disponível estica a peça de roupa em direcção à cara. Uma vez atingido o ponto ideal, corrige-se a trajectória e solta-se permitindo que voe pelo ar até ao ponto seleccionado. Normalmente, aponto à maçaneta da porta. Quando isto é feito às escuras, o brilharete é garantido. Se, no entanto, a tanga tiver selo, ao acender a luz poderá verificar com desagrado que a mesma ficou colada na parede, a cerca de metro e picos do chão.

IV - A procura
A última fase. Uma vez cumprida (ou não) a tarefa que nos levou ali, resta empreender o trajecto contrário. É agora hora de vestir. O processo de encontrar a dita tanga é mais ou menos complexo e expedito consoante o método adoptado anteriormente e o seu respectivo sucesso. Cuidado porque a chegada de elementos estranhos ao serviço pode implicar rapidez acrescida na procura.

V - Conclusão
Como facilmente puderam verificar, o volume de conhecimento que aqui expus é patético e jamais digno do elogio que me foi prestado e do qual não julgo estar à altura.
Muito terá ficado por dizer. Espero que todos vós me ensinem algo.
Para terminar, os meus sinceros agradecimentos ao autor do comentário que me fez quebrar a minha promessa. O meu muito e muito obrigado!

Publicado por João Ilhéu em 10:57 PM | Comentários (11) | TrackBack

ESCLARECIMENTO ÀS HOSTES

[ Qua Dez 24 2003 ]

Estranharão alguns sectores mais conservadores do meu público, a linguagem em que me deixei cair no post anterior. Cedi à tentação fácil? Talvez. Mas reservo-me o direito de prestar homenagem a um amigo escrevendo à moda de...
Para terminar, toda e qualquer afirmação de cariz xenófobo é de única e exclusiva responsabilidade dos intervenientes. A minha fonte garantiu-me que conhece o amigo do avô do gajo que tinha um primo que disse que leu no jornal que havia um padre que jurava a pés juntos que aquilo tinha sido assim. E se o gajo garante...

Publicado por João Ilhéu em 10:53 PM | Comentários (0) | TrackBack

PRECALÇOS DE VIAGEM

[ Qua Dez 24 2003 ]

...
M: - Acalmem-se... tudo se há de resolver.
G: - Preto dum cabrão é sempre a mesma coisa. Um gajo diz-lhe para ele trazer um simples mapa e o animal esquece-se! Irra qu’é grunho!
B: - Diz lá isso outra vez ó whitie! Diz lá isso que eu chino-te os cornos! Ouviste filho da puta?
G: - Ouvi, ouvi. Vais chamar os amigos, é?
M: - Tenham calma...
B: - Só se para baterem palmas, bacano. Tal não vai ser a coça que vais levar!
G: - Volta para a tua terra! O que é que trazes na caixa? Liamba, não?
B: - Vê lá é se eu não te meto a caixa pelo cu acima.
G: - Bolinha baixa!
B: - Foda-se! EU TRAÇO-TE CABRÃO! TIRO-TE OS OLHOS!
G: - Cheira mal. Será que pisei merda?
B: - Anda cá que eu dou-te a merda!
M: - Calma, meus jovens companheiros de viagem, calma.
B: - Sai-me da frente qu’eu parto-lhe a boca toda.
G: - És capaz de dizer isso em rap ó...
B: - Ó quê, caralho? Ó quê?!
M: - Vocês param de discutir?
G: - Um mapa, caralho. Um simples mapa e este gajo não o traz. Sabes o que é ao menos?
B: - É agora. Filho da puta, é agora!
G: - É assim uma coisa de papel, com uns riscos, uma rosa dos ventos. Desculpa, não deves saber o que isso é! Se soubesses não andávamos aqui perdidos, às voltas!
B: - Anda cá caralho! Desce daí que eu tiro-te os dentes pelo cu!
G: - Isso gostavas tu ó paneleiro!
B: - Paneleiro? Vê lá não te vá ó cu!
M: - JÁ CHEGA! CAMBADA DE MOÇOS PEQUENOS. ESTAMOS PERDIDOS? POIS BEM, VOU NAQUELA DIRECÇÃO! QUEM QUISER VIR, FAÇA FAVOR, QUEM NÃO QUISER, FODA-SE! QUANDO DECIDIREM ACABAR COM A BIRRA VÃO ATRÁS DA ESTRELA.
G: - Melchior, já te disse, ali com o tiburcio não vou a lado nenhum.
M: - Gaspar! Vai à merda! Vai onde quiseres, com quem quiseres. (gajo dum cabrão!) Eu tenho mais que fazer!
M: - E TU, BALTAZAR, PÕE OS COLHÕES EM CIMA DO CAMELO E VAMOS EMBORA Ó O CARALHO. CARALHOS MA FODAM SE VOLTO A VIAJAR COM ESTES GAJOS!
(Já aquela gaja deu à luz e eu ainda aqui ando a aturar estes dois) E NÃO SE DESPACHEM NÃO, QUE COM A VONTADE QUE EU TENHO PARA MIJAR!...

Publicado por João Ilhéu em 10:52 PM | Comentários (1) | TrackBack

AJUDAI O PRÓXIMO

[ Ter Dez 23 2003 ]

Nesta quadra natalícia, algo acordou em mim. Numa altura em que o mundo está virado do avesso, senti que tinha chegado a minha vez de fazer algo para o melhorar. Foi assim que hoje de manhã, enquanto ia para mais uma sessão de fisioterapia, resolvi doar o meu corpo à ciência. De preferência, ainda em vida. E já agora, pode ser a uma qualquer massoterapeuta estagiária, não me importo...

Publicado por João Ilhéu em 10:51 PM | Comentários (12) | TrackBack

"A VIDA É UMA DOENÇA CRÓNICA SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEL" - Woody Allen

[ Qua Dez 17 2003 ]

Mas que merda! Não sai nada de jeito. Escrevo, apago, escrevo de novo para apagar outra vez. Melhor era dedicar-me a fazer crochet. Ou a qualquer outra coisa que não tenha absolutamente nada com o fazer correr letras que, ainda por cima, têm que fazer sentido. O tempo não está para boas disposições. Com as coisas que me têm acontecido ando a pensar ir outra vez falar com aquele gajo das barbas que ficou de rever o meu caso. Algo me diz que ainda não entrou ao serviço. Sabem como é. Função pública...
Mas voltarei meus amigos, voltarei! Entretanto penso ir para o Tibete em retiro espiritual. Para dar mais força e ênfase a esta minha decisão, ainda ponderei em mandar cortar o meu budazinho mas a irreversibilidade da medida já levou a que hordas de gajas devotas se manifestassem. Eram p’rái umas, sei lá... uma! Mas com o barulho não percebi se contra se a favor, como tal e pelo sim pelo não, fica... por enquanto! Confesso que a ideia de mijar sentado para o resto da minha vida também não me agradou.
Aguardem-me! Entretanto, não sei se já vos disse: tudo ao Bicho! (atenção: isto não é uma ordem para se jogar tudo à pilinha como se o apocalipse se aproximasse). À segunda-feira paro por lá. Esta semana o tema foi poligamia e eu já comecei a sofrer as consequências do que escrevi. Em vez de aproveitarem os ensinamentos...

Publicado por João Ilhéu em 10:49 PM | Comentários (3) | TrackBack

E AGORA, ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE...

[ Sáb Dez 06 2003 ]

...publicidade gratuita, descarada e sem qualquer qualidade inerente ao produto que a justifique.
É verdade, fui pai... de um bicho. E não estou a ser carinhoso. O gajo é feio como a mãe, de aluguer, puta também. Ainda por cima, seis outros pais compartilham as tarefas e responsabilidades inerentes à paternidade do animal. Bicho de Sete Cabeças. Lá escrevo à segunda feira (Alegorias da Caserna) para passar o resto da semana descansado. Acreditem, a orgia donde nasceu o pequeno monstro não é coisa que nos orgulhemos... Ao menos fui o primeiro...

Publicado por João Ilhéu em 10:48 PM | Comentários (16) | TrackBack

CARTA AO PAI NATAL II

[ Sáb Dez 06 2003 ]

Querido Pai Natal,

Chamo-me João. A minha mãe trata-me por Joãozinho. Ela gosta muito de mim. Escolhe a roupa para eu vestir, deixa-me ver os desenhos animados e prepara-me o Nestum todas as noites. O médico, que é um parvo, diz que há um gajo qualquer - Édipo, parece-me que é - que me anda a fazer mal. Eu não gosto de ir ao médico. A minha mãe diz que se eu não quiser, não vou. Afinal, tenho 28 anos e já sou quase adulto. Eu quero é que o senhor doutor tenha uma valente caganeira. Daquelas que lhe deixe esfíncter latejante até por volta do Dia de Reis (podes anotar este como o primeiro pedido oficial).
Aproveitando que estou numa onda de desarranjos intestinais, podes acrescentar à lista, o José Mourinho e o Deco (só porque são bons no que fazem e não deixam o meu Sporting chegar ao primeiro lugar), o Ferro Rodrigues (cagar por cagar, que o faça de esguicho!) e se, por iniciativa pessoal, achares por bem acrescentar o José Castelo Branco, atenção que pode trazer brinde valioso (sabe-se lá onde é que o gajo trazia as jóias).
A minha mãezinha diz-me que não posso querer tudo para mim, que tenho que pensar nos outros. Por mim tudo bem. Resolvi pedir a paz no mundo. Ela sentou-me nos seus joelhos e explicou-me que o mundo está cheio de homens maus e estúpidos e que isso é quase impossível, que nem tu consegues isso. Pensei então numa coisa mais ao teu alcance: "Mãe, queria saber como pensam as mulheres. Quero agradar-lhes!". A minha mãe, perdeu o seu lindo sorriso e começou a ditar: "Pai Na-tal (vírgula) A-ca-ba com as gue-rras por fa-vor (ponto de exclamação)"
Resolvida a questão do altruísmo, comecei a pensar nas minhas necessidades básicas. Para mim, porco capitalista-materialista-desavergonhado, quero pouca coisa: um carro (BMW Z4, BMW Z3, Honda S2000 ou MG ZT - por ordem decrescente de preferência), um portátil da Macintosh, um telemóvel novo, DVD’s (se quiseres saber quais, liga-me. São à volta de 50), CD’s (idem), livros (idem idem), uma viagem ao Perú, outra a São Tomé e Príncipe (antes que os homens maus e estúpidos estraguem aquilo), uma máquina digital da Leica, um candeeiro da Artemisa que fica a matar na minha secretária, uma prancha de snowboard, um kayak, a Marisa Cruz e a Fernanda Serrano (juntas ou separadas, tanto me faz). Como vês, não sou esquisito. Nem exigente...
E eu até acho que me portei bem... Não?

Sem outro assunto

Aguardo deferimento

Publicado por João Ilhéu em 10:46 PM | Comentários (4) | TrackBack

CARTA AO PAI NATAL I

[ Sáb Dez 06 2003 ]

Pai Natal,

Escrevo-te sabendo que não existes. Mesmo assim, faço-o... Peço-te encarecidamente que voltes. Que me faças acreditar outra vez.
Não me canso de olhar para o céu mas de ti nem sinal. Na televisão ensinam-me que o Natal se mede em euros. Irrito-me! E eu que só queria... Deixa lá. Se não existes, também não podes dar-me o que eu quero.
Por vezes, um beijo, um abraço, um palavra de olhos nos olhos, ou mesmo por telefone, são a melhor prenda do mundo, o embrulho que nos faz brilhar os olhos como crianças. Com a expectativa que lhes é própria, esperamos e esperamos por esse beijo, por esse abraço ou por esse olhar que nos fará felizes e que relativiza tudo o resto. E nem sempre custa. Às vezes basta um pouco de coragem.
Infelizmente, sei que não existes...

Publicado por João Ilhéu em 10:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

DIÁRIO DE VIAGEM I

[ Ter Dez 02 2003 ]

Diário do Comandante - Dia 1 - Chegada
Indo eu, indo eu a caminho de Viseu, segui em frente pela A1 e fui parar a Aveiro. Cheguei para um fim de semana de três dias com amigos. Encontrar a pensão foi tarefa árdua. Uma vez lá, calhou-me um quarto com uma pequena cama, um lavatório quase ao estilo de mesa de cabeceira (mas aos pés da cama), espaço para os sapatos no chão desde que colocados um por cima do outro e uma janela. Apesar de não ter grande aspecto, tenho a certeza que não tem baratas. ...não cabem!
E o cheiro que não se pode?

Diário do Comandante - Dia 2
Quando chegar a casa, mando desinfectar o pijama. Cheira ao quarto. Um misto de mofo com vómito de ovos moles regados a vinho da Mealhada com pouco mais de 1h10 de permanência na cavidade estomacal de quero lá saber quem.
Elas saíram cedo. Nós, os homens, ficámos a dormir. Quando acordei, num gesto normal, abri a janela. Esperando ver o céu, deparei com uma parede e um telhado que cobria aquele exíguo saguão que me servia de paisagem. Fui ao duche que se impunha. Como é normal, a pensão dispensa, entre outros bens de primeira necessidade, sabonete para os banhos dos hóspedes. Azul e branco, neste caso. Sabão macaco. Essa instituição portuguesa...
Enfim, lá saímos um pouco mais tarde, tomámos o pequeno almoço e fomos ao que nos levou lá. Uma daquelas convenções cada vez mais em voga e que reúne os amantes de Fitness de todo o país. Coisa completamente fora da minha área profissional mas que eu tinha curiosidade em ver de perto. Resolvi, por isso, acompanhar os meus amigos, esses sim, parte profissionalmente interessada e, pela primeira vez na minha vida, viver um desses eventos de que tanto tinha ouvido falar.
Este primeiro dia foi de observação. Mulheres bonitas, não tantas quanto se podia pensar. Homens, a julgar pelos olhares de algumas que nos acompanhavam (as solteiras e descomprometidas, porque as outras são mulheres sérias), também os havia "com tudo no sítio".
Ao voltar a casa e como pequena compensação, constatámos que a pensão fica mesmo no centro nevrálgico da noite aveirense. Apesar disso foi uma soirée calma. Divertida, mas calma.
Vou-me deitar, mais uma vez, rapidamente para não pensar em quem poderá ter aqui dormido. Até amanhã!

Diário do Comandante - Dia 3
Acordei, abri a janela. O que vi já vocês sabem...
O dia foi muito semelhante. No entanto, hoje decidi experimentar várias daquelas aulas que nos fazem perder as nossas calorias e, por osmose, as do vizinho do lado. E mesmo para mim, homem relativamente bem preparado fisicamente, só tenho a dizer que os gajos são doidos. Os meus pulmões ficaram por lá. Não os achei. Pode ser que mos devolvam via postal... Estou-vos a escrever ligado às máquinas apesar dos incessantes apelos para me acabarem com o sofrimento e desligarem o quadro à saída.
Andei a provar aqueles produtos alimentares que existem um pouco por toda a parte em acontecimentos do género. Coisas lights, energétivcas e afins abundavam. Sabores havia vários: platex, cartão e madeira prensada.
E os ovos moles ali ao lado...

Diário do Comandante - Dia 4 - Regresso
Mais um dia (o último) da mesma rotina: Abrir janela, ver parede; tomar banho, ignorar o sabão azul; convenção, convívio.
Já extenuados fizémo-nos à estrada, rumámos ao sul e chegámos a casa donde vos estou a escrever e donde me despeço prestando homenagem aos companheiros de viagem com quem gostei muito de passar o fim de semana e de quem tive a ousadia de usurpar pequenos apontamentos para aqui os expor para memória futura.
Bem hajam...

Publicado por João Ilhéu em 10:44 PM | Comentários (7) | TrackBack

maio 02, 2004

O COMANDANTE ERROU!

[ Seg Nov 24 2003 ]

...e por isso se prosta a vossos pés suplicando por indulgência. Não interessam justificações. Apenas me interessa o respeito que devo aos meus leitores. Mas, acreditem, enquanto vos dirijo estas humildes e envergonhadas palavras, vergasto-me violentamente num acto de punição auto-infligida. Vivêssemos nos tempos da inquisição e eu estaria por esta altura num escuro e húmido calabouço, sendo alvo dum procedimento tão sádico quanto doloroso com o fim de me privar de uma qualquer parte do meu corpo pela qual tivesse desenvolvido um sentimento de amor muito grande. Como um amigo me alertou referindo-se ao post de Quinta-feira, 9 de Outubro do ano do senhor de 2003, Vasco da Gama não descobriu as costas do Brasil. Pedro Álvares Cabral, sim. A rota de VG ter-se-à aproximado bastante das Américas mas não acostou. Viu muita mulher nua e teve medo...

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A QUEM ME DIRIJO, POR FAVOR?

[ Sex Nov 21 2003 ]

Já anteriormente me assumi como um céptico. Não invalida isso que por vezes reflicta sobre as grandes questões da vida, coisas como "Quem somos?", "Donde vimos?", "Para onde vamos?", assuntos à partida difíceis de obter respostas científicas, certas e exactas. Algumas destas divagações mais ou menos filosóficas afligem-me verdadeiramente. Corroem-me.
A incerteza do destino. Gostaria de pensar que o destino de cada um é feito por cada qual dia após dia mas, de acordo com isto, o próprio conceito evapora-se no ar, perde consistência e razão de existir. A ideia da existência de uma qualquer entidade que traça a linha da vida de cada pessoa desde o momento em que nasce até que morre é, em muitos casos, bem mais confortante. Psicologicamente, o Homem parece ter essa necessidade intrínseca de se agarrar a algo que o transcenda de modo a viver em paz consigo mesmo.
Estranho é que eu, tal como aqui voltei a assumir, no meio de todo este cepticismo tenha decidido pedir contas a alguém de toda a merda que me vem acontecendo e que, em parte, me tem entupido a canalização por onde escorre a inspiração para escrever.
Perguntei a várias pessoas e lá me apontaram um tipo capaz de me responder a algumas das minhas angústias. Descreveram-me o gajo: é o presidente de uma das primeiras grandes multinacionais conhecidas, alto, já idoso mas com bom aspecto, barbas longas, solteiro mas com um filhO... Curiosa descrição já que parece que toda a gente conhece um amigo que tem um vizinho que trabalha com uma pessoa que já o viu mas, de facto, não conheci ninguém que o tivesse visto directamente. Enfim, lá parti à procura da dita figura. Entretanto, no meio da minha busca, conheci uma personagem que me indicou um outro velho sábio. "Mau!" pensei, "Então não era só um?!". Se a coisa não estava fácil, mais complicada ficou. Mas, pensando bem, deve ser uma tarefa árdua para uma pessoa só tomar conta de um tão grande universo. Deve haver vários. Curiosamente, este pensamento descansou-me. Significava isso que, existindo várias pessoas a desempenhar o mesmo papel, provavelmente, trabalhariam todos no mesmo sítio, sentados atrás de uma secretária, talvez por turnos. Alguém me haveria de atender... Provavelmente, e na pior das hipóteses tinham posto algum estagiário a tratar do meu caso... Tenho que resolver a questão depressa que isto está que já não se aguenta!
Ao preço a que as coisas estão, evito fazer chamadas inter-estrelares mas, desta vez, teve que ser. Depois de várias insistências, disseram-me que a pessoa de quem eu andava à procura estava de baixa. Depressão. Ao que parece, o trabalho não lhe tem corrido bem. Está tudo numa balbúrdia e ele não consegue pôr mão nisto. Foi-se abaixo... Coitado. Imagino-o sentado ao balcão de um qualquer bar pacato sob um foco de luz rasca, amarela, bebendo uma qualquer bebida alcoólica em doses sucessivas, enquanto pensa na sua vida ao som de um qualquer artista de música ligeira lá do sítio. Parece que já lá estão alguns e dos mais variados campos musicais (Há outros que nunca mais chega a hora de partirem!... Paz à sua alma). Na televisão dá um qualquer jogo de qualquer coisa... Não interessa. Ele está farto. E eu também... De repente, resolvi não o incomodar. Terá com certeza problemas maiores que os meus. Pode ser que eu me desenmerde sozinho...
Vem aí o fim de semana. Pode ser que o céu abra e finalmente faça sol...

Publicado por João Ilhéu em 02:04 PM | Comentários (11) | TrackBack

BLAIR WITCH À PORTUGUESA

[ Dom Nov 09 2003 ]

"Arrepiante!" Adjectivo a correr insistentemente em rodapé durante a transmissão de um jogo do Sporting e que antecipava uma notícia que dava conta do que se tinha passado nessa tarde durante as filmagens de uma qualquer novela portuguesa. Aparentemente, a equipa terá sido assolada por uma má-disposição generalizada e inexplicável. Ao mesmo tempo, todos os equipamentos falharam e rapidamente os rumores da assombração do local começaram a circular.
Arrepiante foi ver a Patrícia Tavares, actriz em filmagens, a mudar de personalidade e a ter que ser transportada de volta ao hotel. Qual cena do filme EXORCISTA, imaginem a P.T. a ser assolada por um ataque agudo de acne purulento, com a cabeça a andar à roda e a gritar no mais indecoroso calão "Fode-me! Fode-me!" enquanto vomitava o cozido à portuguesa que tinha comido ao almoço. (Por motivos óbvios, vou aqui omitir a parte em que ela se terá masturbado com o crucifixo. Poderia ofender algumas sensibilidades religiosas...).
Arrepiante o modo como a legião de beatas se apressou a confirmar a assombração.
Arrepiante pensar que há por aí alguém a insultar a minha inteligência com fenómenos para anormais, desculpem... paranormais e espere, com isso, elevar as audiências.
Arrepiante pensar que, provavelmente, vão conseguir!
Arrepiante!...

Publicado por João Ilhéu em 02:03 PM | Comentários (1) | TrackBack

HÁ POR AÍ ALGUM MÉDICO?

[ Seg Nov 03 2003 ]

Na passada semana fui atacado pelo vírus influenzae. Gajo antipático que me deixou às portas da morte. Bati, como ninguém respondeu, vim-me embora.
Estou desconfiado que sei quem me contagiou com o raio da gripe. Acho que foi Portugal que me tossiu para cima. Também não é de estranhar que com o tempo a arrefecer e o país de tanga, o nosso cantinho à beira mar plantado se constipe. E nem os supositórios do Portas - aqueles em forma de submarinos que eu não sei onde é que ele os vai enfiar - lhe baixam as febres e acabam com a especturação.
Contou-me uma vizinha que para além da gripezita, parece que economicamente, o país anda a braços com uma prisão de ventre que a espaços descamba em diarreia verbal, principalmente, quando se fala em criancinhas. Demasiada merda para uma nação tão pequenita. E o cheiro que já não se aguenta?!
Não satisfeito, anda meio mundo nervoso com a mesma conversa que dia após dia tem que gramar nas notícias, com as prestações da casa cada vez mais difíceis de pagar, com as escutas... Não há por aí um Xanax para a malta?
E já agora, um médico, não se arranja? Mas um daqueles verdadeiros. O do Bibi, não!

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abril 30, 2004

E EU QUE QUERIA TANTO TER SIDO PUTA...

[Qua Out 29 2003]

Sou, acima de tudo, um céptico. Mas daqueles que às vezes acha que dava jeito haver mais qualquer coisa para além desta nossa breve passagem por este planeta. Apenas não tenho muita paciência para me preocupar com isso agora. Acho relativamente irrelevante. Um dia, quando me finar, terei muito tempo para me debruçar sobre as questões filosofico-teológicas e, nessa altura, já com conhecimento de causa. No entanto, uma das coisas que entretanto me intriga é a reencarnação. Num daqueles momentos em que nada parece fazer sentido, sentei-me ao computador procurando respostas para a minha reles existência (afinal de contas, se as houver, estão lá, na Internet). Segui as pegadas de um site que me prometia revelar o que fiz eu numa vida anterior. Em troca da minha data de nascimento, o meu passado foi-me revelado. Rezava então assim:

"Your past life diagnosis:
I don't know how you feel about it, but you were female in your last earthly incarnation.
You were born somewhere in the territory of modern Romania around the year 1200.
Your profession was that of a philosopher and thinker.
Your brief psychological profile in your past life:
Timid, constrained, quiet person. You had creative talents, which waited until this life to be liberated. Sometimes your environment considered you strange.
The lesson that your last past life brought to your present incarnation:
It always seemed to you that your perceptions of the world are somewhat different. Your lesson is to trust your intuition as your best guide in your present life.
Do you remember now?"

Estou mesmo a ver, uma douta mulher, filósofa que parece, em plena Idade Média? Na Roménia? Na melhor das hipóteses terei sido declarado(a) herege, bruxa, ou afim e posta a assar em lume brando. Podia ser pior. Podia ter sido eunuco...

E os meus caros (sete ou oito) leitores? Já agora gostava de saber quem me lê. Será que há por aí alguma rameira reencarnada num qualquer doutor ou engenheiro?

Publicado por João Ilhéu em 11:38 AM | Comentários (6) | TrackBack

SERVIÇO PÚBLICO? DEFINA "PÚBLICO", POR FAVOR...

[ Ter Out 28 2003 ]

Com a nova grelha televisiva que chega com o Outono, a vida ganha novo alento agora que o frio e a chuva nos leva a ficar em casa. Começou hoje a mais recente novela nacional. Tivémos já perseguições a alta velocidade, insultos e insinuações. Aguardamos avidamente para saber quem dormiu com quem, quem perdeu o sono, esperamos surpresas e sangue, muito sangue, para manter as audiências num nível aceitável. Os actores, esses, são de primeira linha. Merecedores de um Emmy, quiçá. Produção nacional no seu melhor numa qualquer televisão perto de si. Não perca as cenas dos próximos episódios d'o Julgamento da Casa Pia.

Publicado por João Ilhéu em 11:35 AM | Comentários (4) | TrackBack

CANÇÃO DO ENGATE

[ Qui Out 23 2003 ]

Depois de alguns anos afastado dos jogos de sedução e do confronto social que lhes é inerente, mudanças recentes na minha vida amorosa vieram alterar este cenário. Vi-me de novo lançado às feras... Foi neste contexto que há dias vi a musa que pensei ser finalmente a minha. Depois de trocar vários longos e lascivos olhares com a dita, enchi-me de coragem, aproximei-me e perguntei:
"Estás sozinha?"
"Estou. Queres fazer-me companhia?" Obviamente, acedi à proposta. "Fumas?" continuou, estendendo-me um cigarro, recolhendo-o logo depois numa reacção imediata à minha resposta negativa. Rapidamente tentei corrigir o lapso oferecendo-me para lhe pagar uma bebida. Ela aceitou. Várias.
Sussurrei-lhe então ao ouvido: "Posso contar-te um segredo?". Prontamente, ela saltou da cadeira efusiva "... de justiça?" perguntou. "Não, infelizmente, não." retorqui. "Que pena, assim não vou poder contar a ninguém!", disse. Um pouco baralhado, continuei com a frase mil vezes pensada e treinada ao espelho: "Há algum tempo que te andava a vigiar e..." pela segunda vez interrompeu-me entusiasmada "Trabalhas no SIS? Na Judiciária?". "Não." Reagi algo reticente. Seguiram-se alguns segundos daquele silêncio incómodo enquanto se tenta realinhar a conversa. À falta de melhor e num sinal claro de falta de rotina, precipitei-me: "Tens telemóvel?" "Tenho. Tenho e está sob escuta!" respondeu com orgulho resplandecente. "E tu?". Suspirei... Um daqueles suspiros que antecipam uma derrota anunciada. Fui incapaz de mentir "Não. Que eu saiba não." Consegui, nesse momento, detectar uma ponta de desilusão. Senti-me out.
Aquilo estava a tornar-se difícil. A rapariga estava a colocar a fasquia demasiado alta e eu começava a ter dúvidas se estaria à altura. Tentei redireccionar a conversa "Onde costumas passar os teus dias?" Com sobranceria elitista respondeu: "Na Casa Pia, onde vivo. E tu?" contrapôs já com algumas reticências. "Já acabei o curso. Arquitectura." A sua desilusão começava a tomar forma ao mesmo tempo que eu não hesitava em delapidar a minha reputação "Fiz o curso com uma média bastante razoável e acabei tudo no seu devido tempo.". "Queres ver que também pagaste propinas..." disse ela já visivelmente transtornada. Sentia que estava a perder o seu tempo comigo. Agora eu tinha a certeza. Estava out.
Finalmente e com o arrependimento estampado no rosto afastou-se. Fiquei despedaçado. Não por ela mas pela consciência da urgência duma reciclagem social na minha patética vida. Numa reacção que misturou ira com vergonha ainda reagi numa voz um tom acima do normal "Mas qual é o teu problema? Vais-te embora assim? Drogas-te ou quê?!" Ao que ela parou, virou-se e respondeu com os seus olhos esbugalhados de espanto "E tu, não?!!!..." E riu, riu, riu... E foi-se embora. De vez...

Publicado por João Ilhéu em 11:33 AM | Comentários (5) | TrackBack

DIÁRIO DE UM PORTUGA SENTIMENTAL

[ Seg Out 20 2003 ]

"Onde estão as peúgas?" indaga António Silva Purificação Prazeres, 47 anos, "...aquelas brancas? As das raquetes.". Sua esposa, mulher de carreira doméstica, tudo o que alguma vez quis ser por nunca poder ter sonhado mais além, responde com a certeza de quem repete um gesto ininterruptamente "Na gaveta!". António Silva da Purificação Prazeres pensa duas vezes entre levantar-se do leito onde veste o fato domingueiro - traje desportivo multicolorido composto por jersey e calça a fazer pendant - para ir buscar as ditas ou jogar mão aquelas que jazem no chão desde a noite anterior. Não as vislumbra imediatamente mas, pelo cheiro, não estarão longe. Calça-as. Afinal, são as suas preferidas.
"'Tás demorada?" volta a questionar. "E o raio do gaiato?" O raio do gaiato é um miúdo de 7 anos. Como todos os petizes da sua idade, é um rapaz calmo, calado e rosado pelas sopas de cavalo cansado pela manhãzinha. "Umas rosas lindas!" diz a avó. "Ruben! Come depressa o pequeno almoço. O teu pai chama!" Ruben quer mas não consegue; o vinho é rasca. Sente-se mole. Atrasa-se. O pai, farto de aguardar, ajuda-o dando-lhe um esticão pelo braço para fora da cadeira. Ruben já não se assusta. Sabe que o pai jamais lhe faria uma luxação. Ele domina como ninguém a sua força.
A família precipita-se para o carro. BMW em segunda mão, preto, com uma aparelhagem de som antiga. Uma topo de gama já com um ano que os tempos são duros e não há dinheiro para mais. O pai volta a casa vociferando em português vernáculo. O telemóvel com MMS ficou para trás...
Feitas as compras, regressam a casa. António Silva da Purificação Prazeres senta-se no sofá em frente ao televisor. As compras ficam para o petiz descarregar. "As crianças precisam de fazer desporto" gaba-se ele de ter ouvido dizer na televisão outro dia.
Passa o resto do dia sem se mover. Levanta-se somente para comer. O Benfica vai jogar. Como um animal que hiberna, o relógio biológico dá horas e ele acorda da letargia a que se entregou. "Maria. Traz aí uma cerveja!" Maria parece ignorá-lo e ele então completa encarecidamente: "Já!". Feliz coincidência: o primeiro gole na mini, e o pontapé de saída. "Vão mamar 4-0", diz com a convicção de um expert que jogou futebol na sua juventude no clube lá do bairro. Quase no fim da primeira mini, o Benfica marca e António Silva da Purificação Prazeres salta. Salta e grita "Golo!". Depois de extravazar a sua alegria senta-se e repete: "Maria, traz aí outra cerveja. Já!". Desta vez, precaviu-se.
Mais ou menos pela mesma altura, no fim da segunda garrafita, o Gil Vicente empata. António Silva da Purificação Prazeres, sentimental como é, rapidamente somatiza o golo e é afectado por um prurido nos testículos que lhe tolhe a visão de tão intenso. Rapidamente se socorre dos dedos da mão esquerda (a direita tem a cerveja na mão) para o aliviar. O jogo recomeça e o pai, consciencioso, tenta sensibilizar o seu filho para tomar atenção ao jogo, afinal de contas o futebol é parte integrante da formação de um homem de carácter. O papá tenta convencê-lo mas só o consegue ao segundo impacto da sua mão na fronha do miúdo. Mas ele não tem medo. Sabe que o pai jamais lhe partiria os queixos. Ele controla como ninguém a sua força.
Intervalo. As duas cervejas querem sair. O jogo recomeça. Outras duas querem entrar. Eventualmente, o Benfica marca o segundo golo e vence a disputa. António Silva da Purificação Prazeres é novamente assolado por uma enorme felicidade. Tudo lhe parece lindo. Até a sua Maria. Sente-se um animal. Apetece-lhe cobrir. Maria, essa, dói-lhe a cabeça. Como ao petiz, curou-a à segunda lambada. Bem dizia a sua mãezinha que ele tinha jeito para médico. Acabou servente. Por opção. Opção do pai que o tirou da escola e o mandou trabalhar aos 12 anos. Hoje é feliz. Acha ele...

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MANIFESTO AO MANIFESTO

[ Qua Out 15 2003 ]

Vós, Mães de Bragança, bradais aos céus aquilo de que sois vítimas. Sois vítimas das mulheres de vida fácil que vos tornam difícil viver. Redigis manifestos que tornais públicos, que levais à televisão em nobre horário pois nobre é também a cruzada contra quem vos ofende. Lavais roupa suja em praça pública com a plena convicção que a exposição tornará claro aos olhos da nação e do mundo, aquilo que vós vislumbrais no nevoeiro das vossas convicções. Assumis o epíteto de Mães pois o de Esposas há muito que foi renegado, esquecido e enterrado. Prazer não tem lugar nas vossas relações. É pecado.
Não vos deixais enganar pelos impuros, sarracenos que vos querem fazer querer que a culpa é vossa, de que vos haveis esquecido do bom que é seduzir, amar, partilhar experiências, dor e prazer. Que vos haveis esquecido que é necessário manter uma relação de pé do dia em que a assumimos ao dia que termina. Tudo artefactos que escondem a realidade de que o amor é eterno aos olhos de Deus. Mas não vos olvidais, porém, que nós não somos Deus. Não somos sagrado. Somos profano. Somos Homem; imperfeito e mortal na sua essência.
Ignorai as vozes do inferno e socorrei vossos maridos e filhos de se afogarem nos vícios da droga e dos feitiços que os mantêm escravos do desejo. Meretrizes! Hereges! Fogueira! Pobres daqueles que contra a sua vontade lutam ingloriamente quando esta há muito tempo que lhes fugiu das mãos!
O demo cornudo percorre impune as terras de Trás os Montes mas sois vós que andais em pontas.
Como regozijais quando vêdes a vossa história narrada nos cinco continentes. Mesmo que isso faça aflorar um sorriso jocoso aos lábios de cada leitor. Mesmo que isso me faça rir para não chorar de vergonha. Mesmo que agora Portugal tenha um Red District. Mesmo que os vossos maridos continuem a ir às putas porque não lhes apetece aturar-vos.
Mães de Bragança, contra tudo e contra todos, uni-vos! Contra as tentações da carne, uni-vos! Contra o pecado, uni-vos! Uni-vos e entoai em coro: vão p’rá puta que as pariu! E ficai descansadas... Eles vão!

Publicado por João Ilhéu em 11:29 AM | Comentários (12) | TrackBack

FAIT DIVERS

[ Sex Out 10 2003 ]

A pesquisa por mim empreendida para sustentar alguns factos do testemunho anterior, conduziu-me a uma página na net onde constava uma biografia de D. Duarte Pio que, a certa altura, versava assim, e cito: "O legítimo herdeiro da Coroa Portuguesa - D. Duarte Pio, Duque de Bragança - estudou no Colégio Militar e no Intituto Superior de Agronomia. Cursaria também Psicologia e Sociologia no Instituto para o desenvolvimento, em Genebra dedicando particular atenção aos problemas do terceiro mundo." Agora digam-me lá, isto não vos soa a currículo de coelhinha (sempre é melhor que vaca) de página central da edição de Outubro de uma qualquer revista DA especialidade?

As imagens mentais daqui decorrentes são de inteira responsabilidade dos excelentíssimos leitores. De certeza que vai haver quem imagine o Rei de fio dental cravado no seu real rego. Eu não!

Publicado por João Ilhéu em 11:27 AM | Comentários (6) | TrackBack

BAPTISMO DE VÔO

[ Sex Out 10 2003 ]

"Dois alunos marroquinos ficaram feridos quando a professora, farta do barulho que eles estavam a provocar na sala de aula, decidiu atirá-los pela janela." in Público, quarta-feira, 8 de Outubro 2003
Segundo testemunhas oculares, o arremesso terá sido tecnicamente exemplar, no entanto, a ansiedade natural da primeira vez terá tolhido a destreza dos pequenos aprendizes que, desse modo, não se conseguiram locomover convenientemente de modo a conseguir gerar a força de sustentação necessária a uma aterragem sem precalços. Em consequência, precipitaram-se da janela do 1º andar, em movimento uniformemente acelerado numa demonstração cabal do postulado de Newton, aterrando com as suas tenras focinheiras neste rijo planeta que é a terra.
Já no hospital e ao que consta, terão afirmado gravemente saber o que é a gravidade... finalmente.

Publicado por João Ilhéu em 11:26 AM | Comentários (0) | TrackBack

A TRADIÇÃO AINDA É O QUE ERA

[ Qui Out 09 2003 ]

Pelas quinas do escudo português! Ouvi por aí dizer que andamos a hipotecar a nossa tradição enquanto povo. Tradição essa que não é mais do que a pedra basilar de toda uma cultura que se quer preservada para fazer frente ao papão dos tempos modernos - a globalização - que estende as suas garras e ameaça retirar-nos a identidade. No entanto, venho aqui deixar uma palavra de esperança. (E aqui começa a parte menos séria da “cena”).
Se alargarmos o conceito de tradição ou se considerarmos como tal comportamentos repetidos de uma forma contínua e insistente perpetuados entre gerações, facilmente iremos verificar que muitos dos costumes hoje implementados nesta sociedade que é a nossa, remontam, num ou noutro caso às alturas do nascimento da nação. É o caso desse hábito tão português que é o da violência doméstica. Esta realidade atroz é, segundo o ponto de vista aqui (desavergonhadamente) defendido, tão somente uma herança cultural intrínseca ao facto de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, ter arreado em forte na bastarda sua mãe e ter ganho um país com isso. Assim, sim! É de homem.
Também no campo do trabalho infantil fomos pioneiros. Lugar que só temos mantido à custa de muito esforço. Dos petizes, bem entendido. Sempre tivémos por hábito de colocar a nossa juventude a trabalhar desde bem cedo. Reis na flor da adolescência, são mote ao longo da nossa história. Um dos mais famosos pela demora que já leva sem que ninguém saiba do seu paradeiro é, obviamente, el Rey D. Sebastião (se não se lembrarem quem é, é o tipo o da música do José Cid. Oiçam-na e pode ser queaprendam alguma coisa). Se se confirmar a hipótese mais pessimista, que sua majestade morreu em combate por terras africanas, estamos perante um caso de acidente laboral (lá está!).
Noutro campo da sociedade, todos os anos confrontamos a mesma negra e macabra realidade, a sinistralidade automóvel que ceifa, ou melhor, debulha e enfarda milhares de vidas todos os anos. Entrar em contra-mão nas auto-estradas é natural. Tão natural quanto o foi para o Vasco que se enganou no caminho quando queria ir para a Índia e descobriu a América (ainda estou para perceber esta).
Um outro colega seu que respondia pelo nome de Cristóvão Colombo, com dificuldade em encontrar emprego em terras lusas, após ter tentado ganhar a vida como saltimbanco a equilibrar ovos, emigrou para Espanha, conquistando ao seu serviço glória que nos apressámos a reivindicar (afinal de contas o gajo é portuga) e à qual nos encostámos. Qualquer coisa parecida ao viver dos rendimentos dos nossos emigrantes.
As saídas de território nacional nem sempre se fizeram só de razões de ordem laboral. A escolha de terras de Vera Cruz (Brasil, meus amigos, Brasil!) para “refúgio de férias” de uma figura púlica de Felgueiras, homónima de apelido, também não é ocasional. Já por volta de 1807 a corte portuguesa achou por bem dar corda aos sapatos não fosse o caso da coisa dar para o torto.

Pausa para esclarecimento: Quem esteja a ler esta mísera dissertação pode, por esta altura, estar ligeiramente ofendido no seu patriotismo, ou completamente descrente neste vosso amigo. Qualquer que seja o estado de espírito, o meu sincero obrigado por ter aguentado até aqui (este foi, oficialmente o último acto de auto-comiseração. Já deviam saber ao que vinham). Já foram fazer a mija da ordem? Então, siga!

Poderia ainda fazer aqui desfilar um rol de exemplos de acidentes domésticos (outro campo em que estamos muito bem colocados no panorama internacional) de Martim Moniz que se entalou, ao Salazar que caiu da cadeira e (felizmente) aleijou-se, passando por D. Maria Francisca que pariu D. Duarte de Bragança mas, basta! Já chega de maledicência!
Nem só de tristes e infelizes heranças se faz a história deste país à beira mar plantado. O primeiro atleta para-olímpico português, percursor da senda de vitórias dos seus sucessores, visionário vesgo, salvou o grande bastião da literatura portuguesa nadando com um só braço, vendo a meta com um só olho. Desportista ímpar, este Luís Vaz!
Hoje, alguns séculos volvidos, continuamos impregnados destas e doutras tradições que, como aqui expus, poderão ser heranças pesadas mas, simultaneamente, continuamos a ser capazes de grandes conquistas que nos enchem o peito e purgam a alma das merdas do dia a dia. Temos Camões, Saramago e Pessoa; Amália, Eusébio e Figo; fazemos Expos, Euros e Estádios; estradas, auto-estradas e pontes… e, PORRA! Na última até fizémos uma feijoada para comemorar!!! Ah, Portugal!

Publicado por João Ilhéu em 11:24 AM | Comentários (6) | TrackBack

HISTÓRIAS DA CAROCHINHA

[ Dom Out 05 2003 ]

É oficial: perdi a inocência. ...e a vergonha. ...e a decência (e, por esta altura, alguns amigos também). e não me refiro aos três vinténs (moeda que actualmente não possui qualquer valor comercial), mas sim aquele modo de ver o mundo próprio duma criança, onde não há lugar a coisas tão abjectas como a ironia, hipocrisia ou maldade.
Foi consciente desta minha condição que empreendi uma reflecção em torno do imaginário infantil da minha geração, dos desenhos animados, contos de fadas e personagens afins que povoam a nossa memória. Hoje e sempre.
A perda desse modo imaculado de olhar o mundo fez com que, í­cones então sagrados, se tornem, fruto duma nova contextualização, em objectos de escárnio longe, muito longe, dos exemplos que outrora foram. Senão atente-se: já não bastava sermos obrigados, qual trovador, a cantar versos Bocagianos sobre a aventura sexual do Calimero com a Abelha Maia (essa puta!), como ainda envolvemos a Branca de Neve, uma gaja que vivia com sete(!) gajos deficientes, numa escaldante aventura com o Pinóquio (esse boneco de pau feito, raiz etimológica da palavra "pinocada") em que ela, meretriz intrépida, dominatrix furiosa, lhe ordena sentando-se sobre o seu nariz "Mente, Pinóquio, mente!". E ainda querem convencer-me que a senhora se satisfez com um só beijo?!
E os Estrumpfes? Esses tipinhos azuis. Uma mulher para toda uma aldeia só de homens!? Sou só eu ou isto soa a serviço comunitário? Para já não falar do mais clássico e famoso caso de gerontofilia, provavelmente, o primeiro com que as nossas crianças foram e continuam a ser confrontadas. Falo do Lobo Mau que comeu a avozinha, pois claro.
Podia ficar aqui toda a noite a citar outros exemplos: a Heidi, o Pequeno Pónei (juntos ou em separado), a Barbie e o Ken, esse par de personagens andróginas e assexuadas, a Porcalhontas (juro, isto é mais forte do que eu!) ou esse í­cone da literatura infantil a "Anita e o Cavalinho". Vou, no entanto, dar um salto para os verdes anos em que os super-heróis, símbolo da verdadeira masculinidade, tomaram o lugar aqui em destaque.
Passámos então a idolatrar homens musculados de parcas e justas vestes, de lycra ou cabedal, de cores berrantes (nada de folhos, porém, que isso é coisa de bicha!). Pensávamos nós, inocentemente, lá está, que gostarí­amos de ser assim. Pois bem, veja-se uma das últimas incursões do Batman na sétima arte (atenção: não confundir com Bate-me Man): que necessidade havia de apresentar o gajo de mamilos túrgidos sob aqule fato de cabedal justo? Não satisfeitos, arranjaram-lhe um companheiro, igualmente túrgido, artista de circo e com nome de passarinho. O raio do filme mais parece a versão gay da Marvel para a história da vida recente da princesa Stephanie do Mónaco.
Depois de tudo isto só posso chegar a uma conclusão. Que para a nossa geração, chegar a adulto com a saúde mental incólume depois de sermos bombardeados durante anos com tais indecorosas situações, é uma inquestionável vitória. ...Ok, pelo menos, para alguns de nós. ...Ok, para alguns de vós.

Publicado por João Ilhéu em 11:23 AM | Comentários (12) | TrackBack

"COCAÍNA DÁ À COSTA EM SINES"

[ Qui Out 02 2003 ]

Desta vez, a actualidade noticiosa fez-se deste acontecimento. Depois de contactadas as forças de segurança pública e de registada a ocorrência, foi a vez de entrarem os jornalistas em campo com as notícias a sucederem-se e vindas das mais variadas áreas.
Ao que parece, os ecologistas estão estupefactos com os movimentos migratórios massivos para águas da costa vicentina, das mais variadas espécies piscícolas. Segundo relatos de testemunhas no local cardumes inteiros de sardinhas estão a dar à costa. Aparentemente, o motivo da morte será overdose.
Um pouco mais a norte, o estuário do sado está também a ser afectado. Segundo o verificado in loco, a população de golfinhos regista mudanças abruptas de comportamento naquilo que poderia ser traduzido em emoções tipicamente humanas numa alegria trans-hipnótica (vulgo "moca"). Por sua vez, cardumes de chaputas e carapaus envolvem-se em rituais sexuais atípicos.
No campo do desporto, declarações explosivas d' El Pibe. Ao que parece o astro argentino pensa agora dedicar-se à natação. Numa entrevista a uma estação de televisão do seu país, Maradona terá dito, e cito: "Yo he nascido para la natacion. Portugal es mi pátria e Sines, mi casa. Me voy mui pronto para empezar mi entrenamiento.". Antes de se despedir, terá acrescentado ainda a vontade de fazer uma tatuagem do camarada Álvaro Cunhal ao lado da de Che Guevara que já possui.
Se houver novidades cá estarei. Vou-me manter à coca...

Publicado por João Ilhéu em 11:20 AM | Comentários (12) | TrackBack

"TRABALHO FAZ CADA VEZ MAIS MAL À SAÚDE"

[ Qui Out 02 2003 ]

Fui confrontado com esta notícia na primeira página dum conhecido jornal diário. Segundo consta, um relatório da OCDE chegou a esta maravilhosa(?) conclusão. Imediatamente, lembrei-me duma outra notícia também recente, desta vez, relacionada com o cancro da próstata. Ao que parece, o esperma contém substâncias que ajudam a prevenir essa malfadada maleita. Qual era então o interesse da notícia? Pois bem, salientava-se que a masturbação poderá ser o remédio para a prevenção... Parece que já estou a ver: "E agora, Sr. Dr? Que me receita?" ao que este responde "Bata uma de 8 em 8 horas". E se a moda pega? Gargarejos?!
Ora o portuga, homem precavido, informado e oportunista, resolve agarrar esta oportunidade com as duas mãos (salvo seja) e meter baixa para bater punhetas, afinal de contas, parece que trabalhar faz mal e esgalhar faz bem.
Haja saúde!

Publicado por João Ilhéu em 11:18 AM | Comentários (1) | TrackBack